Ernesto Rodrigues/AE
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Índios invadem sede da Funasa em São Paulo e fazem reféns

Reféns foram liberados durante a noite de terça-feira, mas os índios decidiram passar a noite no local

Roldão Arruda, de O Estado de S. Paulo,

05 de maio de 2009 | 16h36

Cerca de 100 índios invadiram nesta terça-feira, 5, por volta do meio dia, a sede da coordenadoria regional da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), em São Paulo. Eles pretendem permanecer na entidade até que o coordenador regional Raze Rezek, seja demitido do cargo. Os indígenas atribuem a ele a responsabilidade pela piora nos serviços de atendimento médico e de saneamento que estaria ocorrendo nas aldeias do Estado.

 

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Logo após a invasão, os índios determinaram o encerramento do expediente e mantiveram cinco diretores como reféns. Os funcionários só foram libertados às 19h30, quando Rezek chegou à sede da entidade, na Rua Bento Freitas, na região central da cidade.

 

Após se reunir com os índios durante quase uma hora, ele anunciou que pode deixar o cargo. Disse que vai reiterar hoje ao presidente da Funasa, Danilo Forte, o pedido de exoneração que já havia apresentado em novembro do ano passado, também sob pressão dos índios: "Eu pedi demissão, mas o presidente não aceitou. Ele tem me prestigiado muito."

 

Rezek assumiu o cargo em agosto de 2007. De lá para cá, admitiu, os serviços pioraram: "As reivindicações são justas." Mas ele atribuiu a piora à estrutura da Funasa, à lentidão nos processos licitatórios.

 

Para os índios, a permanência de Rezek no cargo é inaceitável. Por isso decidiram passar a noite na sede da Funasa e continuar até que a demissão ocorra. Hoje, às 10 horas, devem falar por telefone com o presidente da Funasa, em Brasília, para cobrar a troca de coordenador.

 

O dia foi agitado na sede na área da sede regional, na região do Largo do Arouche. O movimento começou quando os índios interditaram a rua e invadiram o edifício; e terminou também na rua, com uma dança indígena de vitória. No interior do prédio, à noite, os caciques faziam fila no telefone, para contar os feitos às aldeias e perguntar se alguém havia visto a reportagem sobre a invasão na TV. Ou na internet. "Você gravou?", perguntou um deles.

 

Segundo os índios, que representam 36 aldeias, desde que Rezek assumiu o cargo, os serviços na área de saúde só pioraram. De acordo com o cacique Awa-aridju, da Aldeia Itaguaçu, no município de Ubatuba, uma das principais demonstrações da incompetência de Rezek é o fato de não conseguir sequer dar destino às verbas destinadas à coordenadoria em São Paulo.

 

"Em 2008, cerca de R$ 1,8 milhão voltou para Brasília sem ter sido usado", disse o cacique, que também faz parte do Conselho Nacional de Política Indigenista. "Isso vem ocorrendo há dois anos. Enquanto isso, aumentam os casos de doenças infecciosas, principalmente entre crianças, porque os serviços de abastecimento de água nas aldeias não funcionam."

 

Rezek chegou à sede, quase oito horas após o início da ocupação, acompanhado pelo delegado Flávio Trivella, da Polícia Federal, e um grupo de policiais. Mas os índios só permitiram a entrada dele e do delegado. Os outros federais foram barrados por índios armados com tacapes, porretes, flechas e lanças. Diante do mal estar causado pela situação, Trivella esclareceu que estava lá também para proteger os índios: "Essa é uma das tarefas da Polícia Federal."

 

Em Brasília, a assessoria do presidente da Funasa, Danilo Forte, prometeu divulgar uma nota sobre o assunto.

 

Texto atualizado às 23h26

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