Índios invadem mais uma fazenda no Mato Grosso do Sul

Propriedade rural em Aquidauana, no Pantanal, foi ocupada por 500 homens de sete aldeias; nessa quinta, um índio morreu em uma reintegração de posse em outro município

João Naves de Oliveira, Especial para o Estado

31 de maio de 2013 | 12h38

CAMPO GRANDE - Uma nova invasão a propriedade rural foi realizada nesta sexta-feira, 31, pelos índios da etnia terena. Desta vez o alvo foi a Fazenda Esperança, no município de Aquidauana, no Pantanal do Mato Grosso do Sul (MS). Um grupo com 500 indígenas entrou durante a madrugada, disposto a permanecer no local indefinidamente.

Os líderes dos invasores alegam que a exemplo dos patrícios de Sidrolândia, a leste do MS, que foram retirados sob força policial das fazendas Cambará e Buriti nessa quinta-feira, 30, também estão reivindicando as terras dos terenas ocupadas pelos brancos. As áreas fazem divisa com a Aldeia Ipegue, onde os índios vivem em 6 mil hectares. Eles pedem a ampliação para 33 mil hectares.

O grupo de manifestantes indígenas é composto por 500 homens de 7 aldeias existentes na região: Tauney, Colônia Nova, Água Branca, Imbiruçu, Bananal, Lagoinha e Ipeque, cujas lideranças convocaram os demais manifestantes para a ocupação da Fazenda Esperança, em Aquidauana. Segundo alegam, a área reivindicada já foi sede da primeira aldeia indígena dos terenas no município.

Sidrolândia. Em Sidrolândia, o ambiente é de tranquilidade, depois do conflito armado entre policiais militares, federais e índios, que culminou com a morte do índio Oziel Gabriel, de 36 anos. O corpo da vítima foi sepultado na manhã desta sexta-feira, 31, na Aldeia do Meio, vizinha das fazendas Cambará e Buriti, palcos do conflito armado.

Perfurações provocadas por tiros de balas de borracha e outros ferimentos foram constatados em 4 índios durante a confusão. Um deles, Laucir Marques Pereira, de 39 anos, ainda está internado no hospital de Sidrolândia, aguardando transferência para Campo Grande. Conforme informações do hospital, o indígena não corre risco de morte, mas precisa dos cuidados de um ortopedista.

A Polícia Federal também registrou ferimentos em três dos agentes que atuaram nas fazendas durante o cumprimento de reintegração de posse do terreno. A Polícia Militar não registrou ferimentos na tropa, mas, a exemplo da PF, instaurou inquérito para descobrir quem disparou o tiro mortal. As duas polícias afirmam que os índios utilizaram balas letais.

As investigações começaram nessa quinta-feira, quando um grupo de 14 índios adultos e três menores foi preso pela PF. Os adultos foram transportados para a superintendência do órgão em Campo Grande e os menores entregues na Delegacia de Sidrolândia. Os 14 índios foram indiciados por desobediências a ordem judicial. Eles deixaram a sede da PF por volta de 3h da madrugada.

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