Índios ganham terra na área urbana de Porto Alegre

As 45 famílias de índios caingangues que vivem espalhadas em diversos bairros de Porto Alegre passarão a ter seis hectares de terra para uso comum na Lomba do Pinheiro, na zona urbana da cidade. A Prefeitura entregou a documentaçãoà comunidade nesta terça-feira. Os caingangues festejaram a conquista no Mercado Público Central da capital gaúcha.Pintados com as marcas das subdivisões kamé ekanheru, dançaram, agradeceram e fizeram o prefeito João Verle (PT) discursar de cocar,colar e borduna na mão. Sem caráter de reserva indígena, a área, adquirida pelo município por R$ 90 mil, será uma concessão do direito real de uso do assentamento, a exemplo das que a prefeituraoutorga aos ocupantes das habitações populares que constrói.Inicialmente, os caingangues usarão o terreno para plantar lavouras de subsistência e confeccionar o artesanato que vendem nas feiras livres da cidade. Ao mesmo tempo, passarão areivindicar a construção de casas nas assembléias do Orçamento Participativo.Mas antes disso já planejam a mudança. ?Amanhã (quarta-feira) mesmo já vamos montar umacampamento por lá?, anunciava Zílio Salvador, um dos líderes da comunidade. A únicacasa já existente na área, de um antigo proprietário, será destinada a uma escolabilíngue.Os caingangues da capital gaúcha saíram de terras que habitavam no interior do Estado para tentar sobreviver do artesanato. Muitos deles já perderam os hábitos agrícolas. A secretária municipal de Direitos Humanos e Segurança Urbana, Helena Bonumá, diz que a Prefeitura está voltada para a criação de projetos de geração derenda para os índios.Tanto que disponibilizou três hectares de uma área verde da cidade, o Parque Saint-Hilaire, para a coleta do material usado no artesanato.Supervisionados pela Secretaria do Meio Ambiente, os índios podem retirar taquaras da área, desde que também providenciem o replantio. E além das feiras livres, têm uma loja fixa para exibir e vender seus produtos, no Mercado Público do Bairro Bom Fim.Aos 83 anos, João Carlos Kanheró, de Nonoai, era todo sorrisos com as conquistas caingangues na cidade grande. Tanto que pensa fixar residência em Porto Alegre, onde está em visita a familiares há seis meses. ?Trabalho com artesanato e me acostumei por aqui?, diz.

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