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Índios fazem festa antes até de recomeçar o julgamento

Cerca de 500 índios da Raposa Serra do Sol acompanharam com tranquilidade e em clima de vitória o julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF). Durante todo o dia, eles cantaram e dançaram na quadra de esportes da Vila Surumu, a 230 quilômetros de Boa Vista, palco dos principais conflitos envolvendo a disputa pela terra. Antes do reinício da sessão no STF, exibiram faixas agradecendo aos ministros o placar folgado em favor da demarcação contínua.Em menor número, os índios contrários à demarcação também assistiram ao julgamento, em uma televisão de um morador da vila. Não houve confrontos. O líder arrozeiro Paulo César Quartiero está em Brasília.Em Boa Vista, outro grupo pequeno, de apenas 40 índios, fez manifestação pacífica na principal praça da capital. O Conselho Indígena de Roraima (CIR) esperava o comparecimento de 3,5 mil manifestantes. O coordenador do CIR, Dionito José de Sousa, disse que problemas de transporte atrapalharam a mobilização. Segundo ele, os quase 20 mil índios da terra indígena exigem a saída imediata dos não-índios que permanecem na reserva de 1,7 milhão de hectares. "Vamos ocupar as fazendas", avisou.Dionito criticou o voto do ministro Marco Aurélio Mello e disse que seus argumentos "ferem os direitos dos índios". "Ele falou muito para nada", reclamou, referindo-se às 120 páginas do voto. Já o presidente da Associação dos Rizicultores de Roraima, Nelson Itikawa, disse que o ministro foi corajoso. "Na última hora, ele falou aquilo que vínhamos repetindo há dez anos e ninguém ouvia, que a portaria era inconstitucional, que o laudo antropológico foi forjado e que não somos invasores", afirmou. "O ministro apresentou os vícios, baseado na lei e, se os outros não querem entender isso, não cabe a mim julgar. Vamos ter de sair, porque a lei tem de ser cumprida."

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