Índios fazem cinco reféns em S. Paulo

Representantes de 36 aldeias invadem Funasa para pedir a demissão do coodernador do órgão no Estado

Roldão Arruda, O Estadao de S.Paulo

06 de maio de 2009 | 00h00

Cerca de 100 índios invadiram ontem, por volta do meio-dia, a sede da coordenadoria regional da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), em São Paulo. Eles pretendem permanecer na entidade até que o coordenador regional Raze Rezek, seja demitido do cargo. Os indígenas atribuem a ele a responsabilidade pela piora nos serviços de atendimento médico e de saneamento que estaria ocorrendo nas aldeias do Estado. Veja a galeria de fotos da invasão dos índios na sede da Funasa em São PauloLogo após a invasão, os índios determinaram o encerramento do expediente e mantiveram cinco diretores como reféns. Os funcionários só foram libertados às 19h30, quando Rezek chegou à sede da entidade, na Rua Bento Freitas, no centro.Após se reunir com os índios por quase uma hora, ele anunciou que pode deixar o cargo. Disse que vai reiterar hoje ao presidente da Funasa, Danilo Forte, o pedido de exoneração que já apresentara em novembro, também sob pressão dos índios: "Eu pedi demissão, mas o presidente não aceitou. Ele tem me prestigiado muito."Rezek assumiu o cargo em agosto de 2007. De lá para cá, admitiu, os serviços pioraram: "As reivindicações são justas." Mas ele atribuiu a piora à estrutura da Funasa, à lentidão nos processos licitatórios.Para os índios, a permanência de Rezek é inaceitável. Por isso decidiram passar a noite na sede da Funasa e lá ficar até que a demissão ocorra. Hoje, às 10 horas, devem falar por telefone com Danilo Forte, em Brasília, para cobrar a troca de coordenador.O dia foi agitado na sede na área da sede regional, na região do Largo do Arouche. O movimento começou quando os índios interditaram a via e invadiram o edifício e terminou também na rua, com uma dança indígena de vitória. No interior do prédio, à noite, os caciques faziam fila no telefone, para contar os feitos às aldeias e perguntar se os familiares haviam visto a reportagem na TV. Ou na internet. "Você gravou?", perguntou um deles.Segundo os índios, que representam 36 aldeias, desde que Rezek assumiu o cargo, os serviços na área de saúde só pioraram. "Em 2008, cerca de R$ 1,8 milhão voltou para Brasília sem ter sido usado", disse o cacique Awa-aridju, da Aldeia Itaguaçu, em Ubatuba, que também faz parte do Conselho Nacional de Política Indigenista. "Enquanto isso, aumentam os casos de doenças infecciosas, principalmente entre crianças, porque os serviços de abastecimento de água nas aldeias não funcionam."Rezek chegou à sede, quase oito horas após o início da ocupação, acompanhado pelo delegado Flávio Trivella, da Polícia Federal, e um grupo de policiais. Mas os índios só permitiram a entrada dele e do delegado. Em Brasília, a assessoria do presidente da Funasa prometeu divulgar nota sobre o assunto. FRASESAwa-aridjuCacique"Em 2008, cerca de R$ 1,8 milhão voltou para Brasília semter sido usado""Enquanto isso, aumentam os casos de doenças infecciosas, principalmente entre crianças"

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