Índios fazem acordo e liberam carros de turistas

Índios carajás e um grupo de turistas chegaram a um acordo hoje, em São Félix do Araguaia, a 1.140 quilômetros de Cuiabá. Os indígenas aceitaram liberar os três veículos retidos do grupo de 13 empresários e funcionários públicos de Goiânia e do Paraná, que pescavam na Ilha do Bananal, em Tocantins, na divisa com Mato Grosso. Depois de exigir R$ 20 mil para devolver as três caminhonetes apreendidas por eles na segunda-feira, os índios aceitaram 30 cestas básicas e R$ 2,5 mil.Segundo Carlos Eduardo Clodes, militar que integra a equipe, o dinheiro será depositado em uma conta bancária administrada pelo cacique Iraro Carajá, que liderou as negociações. O militar garantiu que o grupo não sofreu de ameaça de morte. "Eles (os índios) querem apenas mais condições para viver melhor", disse.O grupo, segundo Carlos Eduardo, estava acampado domingo no local conhecido como Jaburu, que fica às margens do rio de mesmo nome, em Tocantins. Na segunda-feira, eles levantaram e seguiam pela Ilha do Bananal quando foram parados pelos indígenas, que lhes tomaram as caminhonetes - uma D-20, uma S-10 e uma F-1000 -, além de roupas e outros objetos.Depois que os carros foram apreendidos, os turistas foram para a cidade de São Félix do Araguaia, onde ficaram alojados na casa de um amigo aguardando a liberação dos veículos. Os índios evitaram que a Funai intermediasse as negociações para liberar os veículos.No entanto, os turistas procuraram o órgão indigenista para garantir a devolução dos automóveis. "A comunidade indígena falou que preferia negociar por eles próprios, sem a nossa interferência", disse o chefe do setor de Meio Ambiente da Funai em São Félix do Araguaia, Issariri Carajá.Os cerca de 800 índios carajás da aldeia Santa Isabel do Morro, segundo Issariri, estão revoltados com a pesca predatória na região da Ilha do Bananal, na divisa entre Mato Grosso e Tocantins. O cacique Ibiarriana Carajá denunciou a constante invasão das terras por turistas que acabam levando várias toneladas de pescado por mês de maneira ilegal. "Nós encontramos 20 pescadores por mês aqui nas aldeias vizinhas e na nossa; não queremos pescadores por aqui", advertiu o cacique. "Eles (os turistas) chegam com vários isopores grandes, gelo e bebidas. Vamos prender e ficar com os equipamentos e carros de todos que pescarem aqui".

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