Índios em condições precárias terão contratos rescindidos

O Ministério do Trabalho iniciou nesta sexta-feira, em Iguatemi, a 350 quilômetros de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, a rescisão dos contratos de trabalho de 150 índios. Eles faziam parte de um grupo de 409 cortadores de cana-de-açúcar, nas lavouras da Destilaria Centro Oeste Iguatemi Ltda (Dcoil), que trabalhava sob péssimas condições de segurança, alojamento e alimentação.Wallace Faria Pacheco, coordenador do grupo de fiscais que esteve no local autuando a empresa, afirmou que somente os 150 indígenas das etnias caiová e terena, ficavam na propriedade e dormiam num alojamento de alvenaria construído para abrigar 50 pessoas. "Os índios dormiam amontoados num lugar onde não havia janelas e nem instalação sanitária para abrigar tanta gente". "Todos os 409, cumpriam longa jornada em um sol escaldante, sem luvas, óculos, botinas, proteção para a cabeça, água tratada e comida ao longo do dia". Foram resgatados, estão rescindindo os contratos e receberão três parcelas do seguro-desemprego, no valor de um salário mínimo, conforme previsto na Lei 5.864/2002.O flagrante foi feito dia 28 desta semana. Segundo informações de um dos diretores da empresa, que preferiu omitir o nome completo, apenas Renê, "a situação no momento está sendo analisada. Preferimos manter silêncio por enquanto". Entretanto, ainda conforme Pacheco, se ficar provada a condição análoga à escravidão, o dono da usina passará a fazer parte da chamada "lista suja de empregadores", que contém até o momento 166 nomes.

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