Índios desfazem acordo com fazendeiros e retêm animais

Os índios guarani-caiovás romperam mais um acordo que haviam fechado com os fazendeiros, complicando ainda mais a situação já considerada grave. Os índios proibiram a retirada dos animais que eles tomaram dos produtores durante as invasões das 14 fazendas situadas entre Japori e Iguatemi, no extremo sul de Mato Grosso do Sul. Esta manhã, eles recolheram 24 cavalos dos fazendeiros, levando-os de volta para a aldeia.Na semana passada os caciques que comandam as invasões, decidiram que os produtores rurais tivessem de volta burros, cavalos e bois que foram levados para a Aldeia Porto Lindo, em Japorã. No sábado último a retirada foi iniciada, mas no domingo, os índios disseram estar arrependidos do combinado e impediram a saída da aldeia de quatro cavalos. Um grupo de caiovás cercou os capatazes de diversas fazenda e não deixaram levar os eqüinos.Houve reação dos empregados da fazenda, e o índio Décio Leme, 38 anos, foi baleado. Na confusão, um índio ainda não identificado desfechou golpe de facão em uma mulher com 68 anos de idade, que foi levada ao hospital de Iguatemi, medicada e dispensada. Décio Leme ainda continua internado no Hospital Evangélico de Dourados e está se recuperando satisfatoriamente.Das 14 propriedades rurais invadidas, onze foram desocupadas e três ainda estão invadidas pelos kaiowás, que armaram barracas de lona plástica nas proximidades do Rio Iguatemi. Segundo os cálculos dos donos das fazendas invadidas, mais de 500 bois nelore estão na Aldeia Porto Lindo.ReconstituiçãoNo final da tarde, a Polícia Federal fez a reconstituição da cena do tiro que atingiu o índio Leme. O atirador branco ainda não foi identificado e a arma do crime desapareceu, conforme informações da Polícia Civil.Por determinação do secretário de Segurança Pública, Adalberto Nogueira Filho, uma guarnição da Polícia Militar está mantendo plantão 24 horas por dia na entrada principal de Aldeia Porto Lindo, com todos os recursos de comunicação com os quartéis e unidades da PM na região.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.