Índios desbloqueiam rodovia no Mato Grosso do Sul

Os índios guarani-kaiowá desfizeram pacificamente o bloqueio que mantinham desde quinta-feira da semana passada na rodovia MS-289, no Mato Grosso do Sul, por determinação da Justiça. A manifestação era para forçar uma decisão sobre o sepultamento do corpo a índia Suritê Lopes, de 70 anos. Ela foi assassinada dia 8 de janeiro por um grupo armado, dentro da Fazenda Madama, em Mato Grosso do Sul, situada entre os municípios de Amambaí e Coronel Sapucaia, no extremo sul do Estado, divisa com o Paraguai.Segundo os indígenas, a fazenda está localizada em parte da Aldeia Jaquapery, terra kaiowá, onde estariam enterrados os ancestrais da tribo. Se o fato ficar comprovado, os índios têm direito de reivindicar o local, conforme observou o administrador da Funai em Amambaí, Gildo Martins, acrescentando que "foi em busca desse direito que começaram os conflitos com os fazendeiros".No último dia 3, um grupo de 200 índios invadiu a Fazenda Madama e cinco dias depois 40 homens armados com revolveres e espingardas, chegaram à fazenda em 12 caminhonetes, e expulsaram os índios sob intenso tiroteio, gritos de "mata, mata, mata", explosões de rojões "fazendo um verdadeiro inferno", conforme contou uma das testemunhas que estão sendo ouvidas pela Polícia Federal de Ponta Porá.Na confusão, um dos projéteis detonados pelos agressores, acertou a índia Suritê, que morreu no local. Outros dois tiros atravessaram a perna direita do índio Valdecir Ximenez, 22 anos. "Quem pôde, saiu correndo feito doido e se embrenhou no mato. Quem não pôde, ficou lá, à mercê dos bandoleiros", disse outra testemunha. Dez ou oito índios, entre eles Valdecir e o corpo de Suritê, foram levados em caminhonetes e despejados nas proximidades da Aldeia Jaguapery.Tanto a Polícia Federal quanto o Ministério Público Federal, investigam pistas deixadas, que levantam fortes suspeitas sobre a empresa de segurança patrimonial, que presta serviço para o proprietário da Fazenda Madama e outras da região.O delgado federal, Alexandre Fresneda, informou que o inquérito policial caminha nesse sentido. Mas ainda não possui provas suficientes para indiciar alguém. Disse ainda que três pessoas da empresa de segurança contratada pelos fazendeiros foram intimadas a prestar declarações na próxima sexta-feira. O promotor federal,Charles Stevan Pessoa, comentou que está analisando todas as mortes de índios ocorridas durante conflitos agrário para saber se há envolvimento da empresa.

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