Índios denunciam ameaças de madeireiros

Os índios tembés, do leste do Pará, denunciaram hoje à direção da Funai em Belém que estão sendo ameaçados de morte por madeireiros que invadiram suas terras para derrubar a floresta da reserva e de lá retirar toda a madeira. "Eles querem se vingar da gente porque fizemos a Polícia Federal explodir com dinamite duas pontes de madeira da estrada por onde a nossa madeira era roubada", contou o cacique Sérgio Mutti Tembé. Ele disse que os madeireiros estão armados, construíram outra ponte num atalho da estrada e fazem o transporte das árvores derrubadas por dentro de um assentamento do Incra. Outros caciques relataram que o clima na aldeia é de revolta. Guerreiros mais jovens já começaram a se pintar para a guerra. "Para não morrer, estamos dispostos até a matar", promete Clemente Tembé. Segundo Kelé Tembé, Jacinto Kaapor e Naldo Tembé, embora sejam os legítimos donos da terra, os índios estão sendo agredidos em seus direitos. "É madeireiro, é invasor de terra, todos querem mandar na nossa aldeia", desabafou Kelé. Hoje os índios pediram a ajuda dos procuradores da República Felício Pontes Júnior e Ubiratan Cazetta, além da Polícia Federal, para que os madeireiros sejam novamente retirados da área. De acordo com a Funai, a reserva é demarcada e homologada. Localizada entre os municípios de Santa Luzia, Nova Esperança do Piriá, Garrafão do Norte, Vizeu e Paragominas, a reserva possui 179 mil hectares e abriga 1.200 índios de vários tribos. O senador Ademir Andrade (PSB) informou que hoje ainda terá uma reunião com o ministro da Justiça, José Gregori, para tentar impedir um confronto entre índios e madeireiros. O presidente do Sindicato das Serrarias de Paragominas, Justiniano Neto, afirmou que os madeireiros têm áreas próprias para fazer manejo florestal. E condenou a exploração ilegal de madeira em área indígena.

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