Índios demarcam área em parque protegido por lei

Os índios guaranis que invadiram o Parque Estadual Intervales, da Secretaria de Estado do Meio Ambiente, no município de Sete Barras, Vale do Ribeira, estão demarcando as terras que pretendem ocupar em caráter definitivo. Eles fixaram placas no entorno da área informando que se trata de "reserva indígena" e alertando ser proibida a entrada de pessoas estranhas. Segundo o cacique Aílton Garcia, a tribo quer que o Governo do Estado faça a cessão das terras para uso dos índios, a exemplo do que ocorreu com a tribo guarani da aldeia Pindo-ty, de Pariquera-Açu, cidade da região. O grupo de 130 índios guaranis obteve, em junho do ano passado, a cessão de uma gleba de 109 hectares para a instalação das ocas. O decreto de transferência da área pertencente ao Estado para a Fundação Nacional do Índio (Funai) foi assinado pelo ex-governador Mário Covas, falecido este ano.A Secretaria do Meio Ambiente descartou qualquer possibilidade de cessão das terras. O parque é protegido por leis estaduais e federais e, até ocorrerem as invasões, não abrigava grupos indígenas. A colocação das placas nas matas chamou a atenção dos guarda-parques, e eles informaram o fato à Fundação Florestal, órgão da Secretaria que administra a unidade. A Fundação está movendo ação de reintegração de posse contra a Funai, visando a desocupação do parque. O processo tramita na Vara Federal de Santos. A primeira invasão ocorreu há mais de um ano, com a entrada de duas famílias. Em agosto deste ano havia 54 índios na área, mas esse número já subiu para cerca de 120. Nos últimos dias, famílias de índios procedentes de Pariquera-Açu estiveram na prefeitura de Sete Barras, pedindo transporte até Intervales. Eles informaram que parte dos moradores da aldeia Pindo-ty pretende transferir-se para o novo aldeamento liderado pelo cacique Aílton, pois os índios preferem viver na mata. A aldeia de Pariquera fica próxima da cidade e conta com uma escola instalada em janeiro deste ano. Criado em 1995, o parque Intervales compõe, com as unidades de conservação vizinhas - os parques Carlos Botelho e do Alto Ribeira - o contínuo ecológico de Paranapiacaba, com mais de 120 mil hectares de mata atlântica. A área é considerada reserva da biosfera e patrimônio natural mundial.

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