Índios deixam sede da Funasa após determinação da Justiça

Grupo decide acampar em frente ao local; presidente de fundação se nega a demitir coordenador

Roldão Arruda e Lígia Formenti, O Estadao de S.Paulo

07 de maio de 2009 | 00h00

Os índios que invadiram na terça-feira a sede da coordenadoria regional da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) em São Paulo abandonaram o prédio ontem à noite e montaram um acampamento improvisado em frente ao local, na região central da capital paulista. Veja galeria de fotos do segundo dia da invasão no prédio da Funasa em SPA decisão de desocupar o edifício foi tomada quando os índios souberam, por telefone, que a Justiça Federal em São Paulo havia deferido um pedido de reintegração de posse feito pela Funasa. Os líderes do movimento afirmaram então que não queriam confronto e saíram antes mesmo da chegada do oficial de Justiça que trouxe a ordem de desocupação.Os indígenas decidiram, porém, continuar mobilizados pela demissão do coordenador regional da Funasa, Raze Rezek. Eles afirmam que, desde a posse de Rezek, em agosto de 2007, o atendimento às populações indígenas só piorou. "Não há ambulâncias para transportar os doentes. Em muitos lugares o esgoto corre a céu aberto e não há fornecimento de água tratada. As crianças estão ficando doentes", assegurou o cacique Guaraci Uwewidjú, um dos porta-vozes do grupo.O presidente da Funasa, Danilo Forte, disse ontem, em Brasília, que não discutiria a saída do coordenador regional enquanto os manifestantes continuassem ocupando o prédio da fundação.DIÁLOGOOs índios que ocuparam a Funasa representam 37 aldeias indígenas espalhadas por São Paulo, a maior parte delas na área do litoral. Eles chegaram ao edifício por volta do meio-dia de terça-feira, determinaram o encerramento do expediente e mantiveram um grupo de funcionários como reféns. À noite, após um encontro com o coordenador regional, que não estava na sede no momento da ocupação, eles libertaram os funcionários.Ontem pela manhã, os índios voltaram a se reunir com o coordenador e conversaram, por telefone, com o presidente da Funasa. Segundo relato do cacique Darã Awá, foi um diálogo tenso e que não teve fim: "Ele desligou o telefone no meio da conversa."Ontem, nenhum funcionário foi detido pelos índios. O coordenador ficou no edifício até por volta das 14 horas, quando saiu, dizendo que iria almoçar, e não retornou.EXONERAÇÃOEm novembro do ano passado, diante das pressões indígenas para que solucionasse os problemas nas aldeias, Rezek já havia encaminhado um pedido de exoneração à presidência da Funasa. Mas Danilo Forte não aceitou a demissão.Agora, mais uma vez sob pressão indígena, Rezek voltou a encaminhar o pedido e de novo foi mantido no cargo. Ao justificar sua decisão, o presidente da Funasa disse que Rezek estava "chocado". "Ele está transtornado, não tem experiência de conviver com movimentos sociais, sobretudo o indígena, que é bastante politizado", completou Forte.Rezek disse ontem que a Funasa está acelerando os processos de licitações para a compra de materiais e contratação de serviços, com o objetivo de atender às reivindicações dos índios. "De 80% a 90% das solicitações estão sendo atendidas", afirmou. Mas os índios o contestaram abertamente e convidaram os jornalistas a visitar as aldeias para conhecer melhor a realidade que enfrentam. "Ele nem sequer visita as aldeias. Não sabe o que acontece lá", disse Darã Awá.No fim da tarde, os índios se reuniram com Moisés Sousa Alves, chefe de gabinete do presidente da Funasa, que veio a São Paulo para negociar.

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