Índios deixam fazendas em Mato Grosso do Sul

Mais de 3 mil índios guarani-kaiowás estão desocupando desde a manhã 11 das 14 fazendas que invadiram no final do ano passado entre as cidades de Iguatemi e Japorã, no extremo sul de Mato Grosso do Sul, divisa com o Paraguai. Eles estão sendo acompanhados por equipes das polícias Civil, Militar e Federal, além de representantes do Ministério Público Federal e Justiça Federal. Segundo o administrador regional da Funai, Willian Rodrigues, as 11 áreas estarão liberadas nesta terça-feira. Os kaiowás estão sendo transferidos para as outras três fazendas.O desocupação cumpre acordo firmado entre 30 caciques kaiowás e a Funai, além da garantia de que as terras reivindicadas pelos índios, num total de quase 9 mil hectares, serão demarcadas e devolvida para tribo, até o final deste mês. Os fazendeiros não participaram do acordo e são contrários à permanência dos índios nos três imóveis escolhidos pelos próprios indígenas.Segundo o presidente da Federação da Agricultura de Mato Grosso do Sul (Famasul), Leôncio Brito, todas as fazendas invadidas são produtivas, documentadas legalmente e livres de pendência com as obrigações fiscais e sociais. Elas surgiram durante o Governo Getúlio Vargas que incentivou a ocupação das fronteiras, titulando as terras aos fazendeiros. "Se a lei manda devolver as terras aos guaranis, nós devolveremos, mas que governo seja justo e pague também as benfeitorias. Não apenas a terra bruta como mandam as regras atuais", disse.

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