Andre Dusek/AE
Andre Dusek/AE

Índios deixam a sede da Funasa em São Paulo

Índios de 36 aldeias invadiram prédio na terça, 5, para exigir a demissão de coordenador do órgão em SP

da Redação

06 de maio de 2009 | 19h01

Os 36 índios que ocupavam a sede da Funasa em São Paulo desocuparam o local. Eles tomaram a decisão após a Justiça Federal conceder a liminar de reintegração de posse pedida pela Funasa. O delegado da Polícia Federal Flávio Trivella, que tentava negociar com eles uma saída pacífica do local, disse aos índios que teria de cumprir a ordem judicial e os índios saíram espontaneamente e montaram acampamento na rua, onde passam a noite. Os índios dizem que continuam reivindicando a demissão do coordenador regional da Funasa, Raze Rezek.

 

Veja também:

mais imagens Galeria de fotos: primeiro dia da invasão

mais imagens Galeria de fotos: segundo dia da invasão

link Índios mantêm delegado refém

 

Na terça-feira, 5, grupos invadiram a Funasa em São Paulo para pedir a demissão de Rezek. Segundo eles, a gestão de Rezek piorou os serviços de atendimento médico e de saneamento nas aldeias do Estado. Na manhã de quarta-feira, 6, a polícia fechou a rua onde fica a sede da Funasa na capital e o prédio foi isolado.

 

A reivindicação da saída de Rezek já havia sido aceita pelo próprio coordenador, que, por fax, enviou ontem um pedido de demissão para o presidente da Funasa, Danilo Forte. "Raze está chocado", justificou o presidente da Funasa. "Ele está transtornado, não tem experiência de conviver com movimentos sociais, sobretudo o indígena, que é bastante politizado", completou.

 

No fim da manhã, Forte enviou um funcionário da Funasa de Brasília para negociar com as lideranças indígenas. "Ofereci também negociar com uma comissão, que poderia vir até Brasília", completou o presidente. "Mas não é com manifestação política que eles vão conseguir sucesso. Isso só traz mais obstáculos."

 

Em nota, a Funasa repudiou a invasão dos índios, que  mantêm reféns no local, entre eles o delegado da Polícia Federal Flávio Trivella, que tentava negociar com eles uma saída pacífica do local e cerca de sete funcionários.

 

Rezek assumiu o cargo em agosto de 2007. De lá para cá, admitiu, os serviços pioraram: "As reivindicações são justas." Mas ele atribuiu a piora à estrutura da Funasa, à lentidão nos processos licitatórios. Para os índios, a permanência de Rezek é inaceitável. Por isso decidiram passar a noite na sede da Funasa.

 

(Atualizada às 23h40)

 

 

(Com Roldão Arruda e Lígia Formenti, de O Estado de S.Paulo)

Mais conteúdo sobre:
Danilo ForteFunasa

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.