Índios de Dourados podem ser ?mulas? de traficantes

Depois de muitos boatos e denúncias não comprovadas, a Polícia Federal começa a acreditar que os narcotraficantes de Mato Grosso do Sul estão utilizando índios para transportar drogas do Paraguai até a cidade de Dourados, a segunda maior do Estado, a 100 quilômetros de Pedro Juan Caballero (Paraguai). São os "mulas" ou "laranjas" , termo usado para identificar pessoas que transportam drogas para traficantes. O administrador da Funai (Fundação Nacional do Índio) em Dourados, Jonas Rosa, afirmou que tinha quase certeza de que isso está acontecendo. Ele disse tratar-se de um meio eficiente de traficar drogas, lembrando que os índios adultos, principalmente adolescentes caminham pelo menos 50 quilômetros por dia, como hábito comum entre eles. ?Além de conhecerem muito bem a região sul do MS", avaliou.O delegado regional da Polícia Federal, Lázaro Moreira da Silva, disse que demorou mas surgiu uma pista que poderá levar as investigações para o esclarecimento do caso. Ele explicou que a demora está no fato de as questões indígenas obdecerem a procedimentos diferentes dos casos comuns. "A maioria das denúncias que partem da Aldeia Indígena de Dourados, não procedem. Os índios dificilmente colaboram nas investigações, ficam calados. Existem casos de usuários indígenas de drogas, mas em nenhum deles caracterizou tráfico, daí a necessidade de aguardar o momento de agir".ConsumoNa segunda-feira desta semana, agentes federais encontraram 180 gramas de maconha paraguaia dentro da casa de um índio, situada na Aldeia Bororó, a 20 quilômetros do centro de Dourados. "Essa quantidade de maconha, é equivalente a pelo menos 180 cigarros da droga, portanto não é para consumo próprio. Nós vamos descobrir quem forneceu a droga. Pode ser que a partir dessa descoberta, podemos acabar ou no mínimo reduzir ao máximo a introdução de entorpecentes naquela aldeia indígena", comentou. O policial lembrou que em dezembro do ano passado, outro índio, da Aldeia Jaguapirú, foi flagrado fumando maconha e forçando uma índia menor de idade a consumir a droga. Ele estava com dez gramas do produto, mas o assunto acabou sendo juntado a outros de menor importância, para futuras investigações. AlcoolismoAlém desse problema, dezenas de famílias indígenas estão completamente dominadas pelo alcoolismo e a maioria delas, na falta de cachaça ingere álcool etílico hidratado, normalmente misturado com água açucarada. "Temos índios jovens na aldeia de Dourados, com apenas 13 anos de idade, consumindo bebidas alcoólicas", ressaltou Jonas Rosa. O delegado do DPF lembrou que existe um trabalho policial que impede a venda de bebidas alcoólicas na aldeia, mas a mercadoria é clandestinamente introduzida na aldeia.

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