Índios da Raposa vão aguardar pacificamente decisão do STF

Supremo começou a analisar ação que questiona a demarcação na quarta-feira, mas o julgamento foi suspenso

Agência Brasil

28 de agosto de 2008 | 14h32

O Distrito de Surumu, área de maior tensão entre indígenas contrários e favoráveis à demarcação da Terra Indígena  Raposa Serra do Sol  (RR), amanheceu tranqüilo nesta quinta-feira, 28, um dia depois do adiamento da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a legalidade da homologação da reserva em área contínua.   Veja também: Leia a íntegra do voto do relator  Blog: julgamento sobre a demarcação da Raposa Serra do Sol Ex-ministro do STF chama Roraima de 'Estado virtual'  Advogado dos arrozeiros aponta para risco à soberania nacional Questão da Raposa põe em jogo "500 anos de colonização", diz advogada índia  Assista ao voto do relator Carlos Ayres Britto  A FAVOR: STF deve garantir direito dos índios, afirma Cimi CONTRA: Demarcação não é simples litígio de terras, diz governador Especial sobre a disputa de terras indígenas  Entenda a sessão e relembre recentes decisões     O Supremo começou a analisar ação que questiona a demarcação na quarta-feira, mas o julgamento foi suspenso depois que o ministro Carlos Alberto Menezes Direito pediu vista do processo. O único a votar foi o relator, ministro Carlos Ayres Britto, que se manifestou a favor da manutenção da demarcação contínua.   Homens da Polícia Federal passaram a noite na área da reserva. Tanto os indígenas favoráveis à demarcação contínua quanto os ligados aos arrozeiros afirmam que aguardarão a decisão do Supremo de forma pacífica.   Ontem, o grupo ligado aos produtores de arroz chegou a comemorar com fogos de artifício a interrupção do julgamento. "O nosso pessoal ficou meio entristecido com a reação deles, mas depois ficou esclarecido que o único voto foi a nosso favor, pela demarcação contínua está um a zero", afirmou o coordenador regional do Conselho indígena de Roraima (CIR), Walter de Oliveira.   Na avaliação dele, o voto favorável do ministro Carlos Ayres Britto sinaliza que o STF pode manter a homologação feita em 2005. "Vamos aguardar tranqüilos, porque até o momento não teve nenhum resultado ruim para nós."   Já para o tuxaua (cacique) José Brazão, que apóia a permanência dos produtores de arroz, o pedido de vista vai ser a oportunidade para convencer os ministros que ainda não votaram "da verdade" sobre a Raposa Serra do Sol. "Tem uma parte do relatório (do ministro Carlos Ayres Britto) que não é verdadeira. Ele não buscou conhecer a fundo a realidade a história da Raposa. Quero sugerir aos ministros do STF que não trabalhem mais com inverdades."   O tuxaua sugeriu, inclusive, que, em caso de manutenção da demarcação contínua, o Distrito de Surumu seja excluído da área da reserva. "Nós somos brasileiros, não queremos ficar aqui sob o controle de ONGs internacionais."   O líder arrozeiro Paulo César Quartiero chega nesta quinta a Boa Vista, por volta das 14 horas, no horário local (15h, em Brasília). Na quarta, ele acompanhou o julgamento sobre o caso em Brasília.

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