Indios caiuás mantêm servidores como reféns em aldeia do MS

Ação ocorreu na manhã desta segunda, durante um evento sobre saúde indígina na aldeia; nesta noite, 37 pessoas foram liberadas mas três ainda estão sob domínio da tribo

João Novez de Oliveira - Especial para o Estado ,

06 de maio de 2013 | 19h54

CAMPO GRANDE - Um grupo de quase 400 índios da etnia guarani-caiuás, sem camisas, pintados para guerra e com arcos e flechas, manteve como reféns nesta segunda-feira, 6, funcionários públicos de diversos órgãos que estavam em um evento no local. Os servidores foram surpreendidos nesta manhã por homens de três aldeias, durante a 5ª Conferência de Saúde Indígena. Do total, 37 já foram liberados nesta noite, mas três ainda não conseguiram sair.

A ação dos indígenas na Aldeia Porto Lindo, em Japorã, município de Mato Grosso do Sul, na divisa com o Paraguai, é um protesto por melhoria das condições de saúde no local, segundo líderes da comunidade.

Entre os reféns, estavam seis soldados da Força Nacional de Segurança Pública e três da Polícia Militar,

Sem conexão de celulares por falta de sinal, há um único telefone público na aldeia, e as informações sobre a situação em Japorã são transmitidas por essa linha. Conforme explicou um dos líderes caiuás, que não quis ser identificado, a tribo "não aguenta mais a situação difícil dos seus 3 mil índios".

Ele explicou que muitas famílias, principalmente crianças e velhos, estão doentes e alguns até morrendo, sem assistência médico-hospitalar e laboratorial. "Queremos um posto de saúde na Porto Lindo e remédios para nosso povo. As crianças também não têm escola, estamos aqui bem pertinho da cidade sem nenhum melhoria. Queremos explicações da Funai, da prefeitura da Japorã, do governo do estado e da polícia porque também precisamos de mais segurança na aldeia".

O secretário municipal de Saúde de Japorã, Paulo Franzotti, informou nesta tarde que a situação dos reféns é de apreensão. Foram solicitados reforços da Força Nacional e da Polícia Militar.

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