Índios bloqueiam estrada e fazem jornalistas de reféns

Três equipes de TV retransmissoras da SBT, Globo e Record, além de dois jornalistas - de "A Tribuna" e do "Jornal de Hoje" - foram feitos reféns hoje pelos índios terena, em Rondonópolis, sul de Mato Grosso, a 220 quilômetros de Cuiabá. No total nove pessoas estão em poder dos índios às margens da BR-364 na altura do quilômetro 114, sentido Cuiabá-Campo Grande (MS), segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF).Os índios detiveram os jornalistas durante manifestação em que reivindicam uma área de 5.600 hectares para criar uma reserva indígena. Os jornalistas estavam fazendo a cobertura da quinta interdição da rodovia, este ano, quando foram retidos. A jornalista Elane Martins, da TV Centro América, retransmissora da Rede Globo, passou mal e acabou sendo liberada. Essa é a segunda vez que a repórter é feita refém pelos mesmos índios.Cerca de 50 homens do Exército e Polícia Rodoviária Federal (PRF) estão no local para evitar um conflito entre índios e motoristas. Até o começo da tarde os celulares dos reféns permaneciam fora de área. Eles estão cercados pelos índios que só pretendem liberá-los depois que suas reivindicações forem atendidas, informou a PRF.Desde segunda-feira, a ligação rodoviária de Mato Grosso com o Centro-Sul do País está prejudicada com a interdição de trechos das BRs 364 e 163. Ambas haviam sido liberadas ao tráfego na noite de terça-feira, no entanto, os índios terena voltaram a bloquear a BR- 163, em Rondonópolis.Representantes da Fundação Nacional do Índio (Funai) e do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) se comprometeram a solucionar o impasse hoje, mas a reunião não ocorreu e os índios resolveram reter os jornalistas para pressionar as autoridades. O administrador da Funai em Mato Grosso, Ariovaldo José dos Santos, e o superintendente do Incra no Estado, Francisco José Nascimento, não foram localizados para falar sobre o assunto.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.