Índios ameaçam guerra se conflito de terra não for resolvido

O cacique xavante Boaventura deu há pouco prazo até sexta-feira à Justiça para que resolva o conflito em torno da terra demarcada em favor da tribo na região de Alto Boa Vista, em Mato Grosso. Caso contrário, adverte, os cerca de 600 índios acampados na beira da estrada que cerca a reserva partirão para um luta armada com posseiros instalados na região. A advertência foi feita há pouco a deputados-membros da Frente Parlamentar de Defesa dos Povos Indígenas, com os quais um grupo de xavantes se encontrou, na sede da Procuradoria Geral da República. Os xavantes querem acesso à terra, já demarcada pela Fundação Nacional do Índio e com posse registrada em favor dos xavantes, cujo acesso foi suspenso por uma liminar do Tribunal Regio nal Federal (TRF) da 1ª Região, com sede em Brasília. Segundo Boaventura, os índios não têm medo de morrer para obter de volta o acesso à terra que entendem ser deles. O coordenador-geral do Instituto de Estudos e Pesquisas da Funai, Cláudio Romero, que também participou da reunião, os xavantes têm buscado o retorno pacífico à área demarcada, mas, no estágio a que se chegou para resolver o problema, "o conflito armado é quase inevitável". O deputado Eduardo Valverde (PT-RO), outro participante do encontro, disse que é preciso "um milagre" para que a Justiça conclua a análise do processo até sexta-feira. "Temos que convencer o desembargador a despachar com mais velocidade. Há um risco de massacre de inocentes", afirmou o parlamentar, referindo-se ao desembargador Fagundes de Deus, que foi quem concedeu a liminar aos posseiros para impedir a posse da terra pelos xavantes.

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