Índio teria desaparecido durante ataque de pistoleiros, diz entidade

Desaparecimento ocorreu em Paranhos (MS), onde há conflitos fundiários e judiciais

Fátima Lessa, especial para o Estado

10 de agosto de 2012 | 20h24

CUIABÁ - O Conselho Indigenista Missionário (CIMI) denunciou o desaparecimento do Guarani Kaiowá João Oliveira após ataques de pistoleiros ao acampamento erguido por cerca de 400 Guarani Kaiowá em terra indígena retomada durante a madrugada no município de Paranhos, Mato Grosso do Sul no fim da manhã desta sexta-feira, 10.

 

Segundo o CIMI, a Força Nacional chegou à metade da tarde ao local do ataque dos pistoleiros, que se dispersaram em fuga. Os agentes federais estavam, conforme as lideranças Guarani Kaiowá, procurando o índio João Oliveira.

 

O território é motivo de conflitos fundiários e judiciais. Além das violências cometidas contra os Guarani Kaiowá, a homologação recente da terra indígena foi suspensa pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O processo, no entanto, segundo o CIMI, ainda não foi votado por todos os ministros e a comunidade exige celeridade na decisão.

 

Os Guarani Kaiowá decidiram fazer a retomada porque, segundo o CIMI, a morosidade na demarcação, homologação e extrusão dos invasores não-índios dos territórios "promove a violência contra os Guarani Kaiowá". Na avaliação de indigenistas, a situação ficaria ainda mais complicada no cumprimentos dos direitos indígenas com a Portaria 303. A portaria da Advocacia Geral da união (AGU) pretende estender condicionantes decididas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na Ação Judicial contra a Terra Indígena Raposa Serra do Sol para as demais terras indígenas.

 

Ainda nas primeiras horas da manhã, lideranças Guarani Kaiowá apontavam a falta de segurança na área retomada. "Os fazendeiros da faixa de fronteira Brasil/Paraguai, juntos com seus pistoleiros, certamente vão reagir de modo violento contra essas lideranças em manifestação", declarou nesta manhã Tonico Benites Guarani Kaiowá. "Estávamos pedindo apoio e ninguém ofereceu. Os Guarani morre primeiro. Não veio ninguém. Mataram mais um, mataram mais um! Desde cedo os pistoleiros passaram a atacar", afirma o indígena.

 

O tekoha (território sagrado) Arroio Koral foi homologado pelo governo federal, mas ainda estava ocupado por fazendeiros. "Está comprovado que a terra é nossa, não pode ser assim de continuar matando os Guarani, mas se é para morrer por nosso tekoha, vamos morrer tudo agora", disse o indígena que quando falou com a equipe de jornalismo do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) estava "escondido no meio do mato".

 

Tragédia. No dia 18 de novembro de 2011, cerca de 40 homens encapuzados e fortemente armados invadiram o acampamento indígena Tekoha Guaiviry localizado entre Amabaí e Ponta Porã. O cacique dos Guarani Kaiowá, Nísio Gomes, de 54 anos, foi baleado e o corpo levado pelos pistoleiros.

 

Depois de meses de investigações, a PF admite a morte e atualmente procura o corpo de Nísio. No ataque, dois índios - uma mulher e um criança de 5 anos - também foram levados pelos pistoleiros. De acordo com o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), nos últimos oito anos, cerca de 200 índios foram mortos em conflitos de terra.

 
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