Indio anuncia saída do DEM e Rio passa a ser prioridade de líderes

Executiva quer evitar debandada para partido de Kassab; ex-deputado deve disputar a prefeitura carioca no próximo ano

Marcelo de Moraes, de O Estado de S. Paulo

23 de março de 2011 | 23h28

BRASÍLIA - Surpreendida na noite desta quarta-feira, 23, com a saída do ex-deputado Indio da Costa (RJ), a nova Comissão Executiva Nacional do DEM se reúne nesta quinta-feira, 24, em Brasília para neutralizar eventual efeito dominó nas fileiras do partido no Rio de Janeiro, um dos centros de gravidade da legenda.

 

A missão é estancar novas baixas, materializadas após o movimento liderado pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, com a criação do PSD (Partido Social Democrático). Na contabilidade do partido, o DEM deverá perder pelo menos 7 de seus 43 deputados federais, mas existe a avaliação de que, à exceção de Kassab, os quadros perdidos não faziam parte da linha de frente da legenda.

 

A caminho do partido de Kassab, o candidato a vice na chapa presidencial de José Serra (PSDB) é o nome do PSD para disputar a prefeitura do Rio, em 2012. "Saio do DEM para continuar na política. Defenderei, onde estiver, as mesmas ideias, valores e princípios que defendi em 2010", escreveu Indio no Twitter, à noite.

 

À tarde, após encontrar Kassab, Indio havia dito que sua situação no DEM estava complicada, principalmente pela decisão do do ex-prefeito Cesar Maia de assumir pessoalmente o comando do diretório municipal do partido. "Essa atitude dificulta a convivência", desabafou o ex-deputado, após almoço com o prefeito paulistano.

 

Indio classificou a decisão de Maia como "catastrófica". "Se tem um partido que se diz democrata, a primeira coisa que se tem de fazer é praticar a democracia partidária." No Rio, a tendência é que Cesar Maia defenda a candidatura de seu filho, deputado Rodrigo Maia, à prefeitura.

 

Estancamento. No radar do DEM, além de movimentos de insatisfação detectados no Rio, aparece o deputado Vilmar Rocha (GO), que também estaria de malas prontas para o PSD. Fora ele e os quatro parlamentares paulistas que já decidiram acompanhar Kassab, o DEM já contabiliza a iminente desfiliação dos deputados Paulo Magalhães e Fernando Torres, ambos da Bahia.

 

Outra que pode deixar a legenda é a deputada Nice Lobão (MA). Ela é casada com o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, que pertence ao PMDB, mas ainda mantinha laços políticos com o DEM. Nice também deverá trocar o partido pelo PSD de Kassab.

 

Diante desse cenário, os dirigentes do DEM avaliam que conseguiram interromper a sangria na legenda. Especialmente por conta da troca do comando do partido, agora presidido pelo senador José Agripino Maia (RN), e pelo apoio recebido de aliados do PSDB, como o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o senador mineiro Aécio Neves, que ajudaram a segurar políticos no partido.

 

Na reunião desta quarta, a tendência é que o DEM se organize para prestigiar os políticos que preferiram continuar na legenda, em vez de atenderem ao convite feito por Kassab para mudarem para o PSD. Assim, esses partidários passariam a ocupar espaços nas comissões mais nobres do Congresso (no caso de deputados federais e senadores) e vagas importantes nos diretórios regionais e municipais, no caso de prefeitos e vereadores. / COLABORARAM DAIENE CARDOSO e LILIAN VENTURINI

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