Indígenas pedem 'medidas urgentes' da ONU para frear mortes no Brasil

Denúncia entregue às Nações Unidas lembra o assassinato de 470 e suicídio de 750 Guarani Kaiowá

Jamil Chade, CORRESPONDENTE, O Estado de S.Paulo

20 Setembro 2017 | 14h56

GENEBRA – Representantes de povos indígenas brasileiros denunciaram o governo na ONU e pedem “medidas urgentes” da entidade internacional para frear as mortes e violações de direitos humanos. Nesta quarta-feira, 20, grupos acusaram as autoridades nacionais de “atrocidades” em um debate realizado no Conselho de Direitos Humanos da ONU.  

“Queremos que este Conselho tome medidas urgentes sobre a grave crise humanitária que meu povo passa”, disse Voninho Benites, representando o Conselho da Grande Assembleia Aty Guasu Guarani e Kaiowá. Em sua denúncia, ele aponta ainda para 750 suicídios de integrantes do povo Guarani e Kaiowá e 470 assassinatos. “Não aceitaremos esta realidade e iremos continuar a resistir e a demarcar nossas terras com o nosso próprio sangue”, afirmou.

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“Somos o segundo maior povo indígena do Brasil, sobrevivendo em pior situação de terras demarcadas”, insistiu. “As reservas criadas pelo governo há quase 100 anos, se tornaram confinamentos do nosso povo, nos condenando à fome e à dependência extrema da vontade do Estado, ao passo que nosso povo vive de cestas básicas alimentares, porque não temos terras para plantar”, disse.

Em sua avaliação, o Estado brasileiro submete os povos indígenas a “atrocidades ao negar os direitos sobre terras tradicionais”.

Benites, do estado do Mato Grosso, denunciou uma decisão do Supremo Tribunal Federal que anulou a demarcação de uma de suas terras e ainda apresentou casos de ataques. 

“Venho da Terra Indígena Dourados-Amambaí e há um ano sofremos um terrível massacre”, contou. “Cerca de 50 camionetes com fazendeiros fortemente armados atacaram nossa comunidade deixando diversos feridos e um de nossos agentes de saúde foi morto com dois tiros enquanto atendia os feridos”, disse. “A maioria dos feridos foram acatados pelas costas”, insistiu.

Luis Doniste Grupioni, Instituto de Pesquisa e Formação Indígena, acusou o governo de “minar os direitos dos povos indígenas”. “Demarcações foram adiadas e o orçamento das agências será dez vezes menor que há cinco anos”, disse. “Há um aumento de violência, assassinatos e invasões. Esses povos estão sujeitos a massacres”, alertou. 

O governo brasileiro respondeu às críticas alertando que existem no País 462 terras indígenas, envolvendo 13% do território nacional. “O governo não suspendeu e nem minou processo de demarcação”, disse Maria Nazareth Farani Azevedo, embaixadora do Brasil na ONU. 

Ela também negou que o corte de verbas tenha tido um impacto nos programas sociais. Segundo a embaixadora, o governo destinou US$ 700 milhões em políticas públicas para grupos indígenas, principalmente no setor de saúde. Ela ainda citou a queda de 20% nos casos de malária. 

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