Indiciamentos da CPI do Banestado ainda precisam de aprovação

O relatório da CPI do Banestado apresentado pelo relator José Mentor (PT-SP) que pede o indiciamento, pela Justiça, de 91 pessoas por crimes contra o sistema financeiro nacional, sonegação final, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e até corrupção ativa ainda será examinado pelos integrantes da CPI e precisará ser aprovado dentro da comissão para ter validade. Com o final do período legislativo terminando, o relatório poderá ser votado apenas no próximo ano.Entre doleiros e empresários com pedidos de indiciamento estão Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central durante o governo Fernando Henrique Cardoso, e o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta. Mentor justificou o pedido de indiciamento de Gustavo Franco afirmando que ele autorizou pessoalmente, em 1998, o recebimento de depósitos em reais feitos por bancos estrangeiros nas agências do Banestado e de outros quatro instituições financeiras com representação em Foz do Iguaçú que enviavam o dinheiro imediatamente. Os depósitos eram convertidos em dólar e enviados a contas no exterior, inclusive em paraísos fiscais. "O ex-presidente do BC tomou a decisão política de liberar as operações em Foz do Iguaçú. Só depois a diretoria do banco deu o referendo", argumentou Mentor justificando porque o restante da diretoria do BC não foi também responsabilizada. Se o relatório for aprovado na CPI e o Ministério Público decidir pelo indiciamento de Franco, ele poderá responder à Justiça por suposto crime contra o sistema financeiro nacional, que prevê pena de 2 a 6 anos de prisão e multa. Além de Franco, o relatório pede o indiciamento do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta. Segundo o deputado Mentor, a documentação em poder da CPI prova a sonegação de impostos e evasão fiscal praticada por Celso Pitta. O ex-prefeito chegou a ser preso pela CPI ao desacatar o presidente da comissão, senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT). Pitta movimentou entre 1992 e 1994 cerca de US$ 1,5 milhão, mas não pode justificar a origem do dinheiro já que recebia apenas salário de servidor público.O ex-presidente do Banco Araucária, Alberto Dalcanalle Neto, também teve pedido o indiciamento por Mentor por suposta sonegação fiscal e evasão de divisas pelo relatório da CPI do Banestado. Segundo análise da CPI, o Araucária foi um dos bancos que recebeu autorização de Gustavo Franco para fazer receber depósitos de bancos paraguaios em reais e transformá-los em dólares, enviando o dinheiro para contas no exterior. Mentor também pediu o indiciamento do dono das casas Bahia, Samuel Klein, e de seu filho Michael, alegando que teriam utilizado ilegalmente a conta CC5 para enviar dinheiro ao exterior sem informar ao Banco Central e Receita Federal como manda a lei. Principais personalidades investigadas pela CPI do BanestadoINDICIAMENTO PEDIDOPor crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, evasão de divisas, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e até corrupção ativaGustavo Francoex-presidente do Banco Central no governo Fernando HenriqueCelso Pittaex-prefeito de São PauloAlberto Dalcanale Netoex-presidente e controlador do Banco AraucáriaSamuel Klein e Michael KleiEmpresários, donos das Casas BahiaJayme Canet Júniorex-governador do ParanáAníbal Contrerasex-presidente da Beacon Hill service CorporationDário Messer, Felice Aggio, Roberto MatalondoleirosAriovaldo Carmignaripresidente da Companhia de Saneamento do Estado de São Paulo (Sabesp)Paulo Domingos Knippeldiretor econômico-financeiro da Sabesp CristianoRoberto Tatschpresidente da Companhia Riograndense de Telecomunicações (CRT)Fernando Fournon Gonzales-Barciadiretor superintendente da CRTPEDIDA A INVESTIGAÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICOpor suspeita de ilegalidades nas operações financeiras internacionais, como sonegação de impostos e evasão de divisasCassio Casseb Limaex-presidente do Banco do Brasil já no governo LulaAntônio Celso Ciprianiex-presidente da falida TransbrasilMarise Fontana Ciprianimulher de Celso e filha do fundador da Transbrasil, Omar FontanaLuiz Augusto Candiotaex-diretor do Banco CentralPaulo Salim Maluf ex-governador e ex-prefeito de São PauloJoão Arcanjo Ribeirochefe do crime organizado no Mato Grosso e preso no UruguaiRicardo Sérgioex-diretor da área Internacional do Banco do Brasil no governo anteriorLIBERADOS PELO RELATÓRIOHenrique Meirellespresidente do Banco Central

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