Indiciado pela PF, Juvenil Alves pede desfiliação do PT

O deputado federal Juvenil Alves protocolou nesta sexta-feira, 16, seu pedido de desfiliação do PT. O deputado foi indiciado pela Polícia Federal (PF) em inquérito que investigou um esquema de blindagem patrimonial de empresas devedoras de tributos e sonegação fiscal e suspeito de cometer crime eleitoral.Por conta das acusações, ele também enfrentava processo na Comissão de Ética do partido, que poderia culminar com sua expulsão. Os trabalhos deveriam ser concluídos no início de março. Após Juvenil ser preso preventivamente durante a Operação Castelhana, da PF, a executiva estadual petista suspendeu temporariamente sua filiação. Estreante na política, Juvenil foi eleito deputado federal com mais de 110 mil votos, a maior votação alcançada por um candidato do PT de Minas à Câmara. O deputado federal foi apontado como o mentor e executor de esquema que teria causado prejuízo estimado de pelo menos R$ 1 bilhão aos cofres públicos, num sofisticado esquema que envolveria a abertura de offshores no exterior em nome de "laranjas". Ele foi indiciado por sonegação fiscal, lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e evasão de divisas. Outras 29 pessoas também foram indiciadas. Em curta nota à imprensa, Juvenil disse que decidiu deixar o partido por razões de foro íntimo e citou o filósofo, físico e matemático francês Blaise Pascal. "Quando os motivos são emanados do coração, a razão deles não conhece". Conforme a nota, o deputado "vem sendo sondado por outras legendas, mas ainda estuda qual o melhor caminho a seguir para servir aos seus 110.651 eleitores e à sua ideologia política".Crime eleitoralDurante a campanha, Juvenil fez doações e dobradinha com petistas e candidatos de outros partidos. Ele declarou ter arrecadado R$ 415.420,00 e gastos de R$ 415.242,95, mas foi flagrado numa conversa telefônica - interceptada pela PF durante as investigações - com o deputado estadual reeleito Durval Ângelo (PT), na qual reclama que a campanha já tinha gerado gastos de cerca de R$ 5 milhões. A Procuradoria Regional Eleitoral requisitou em janeiro à PF instauração de inquérito policial para apurar a eventual prática, pelo deputado, de crimes eleitorais.Texto ampliado às 21h30

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.