Índice de reeleição no País atinge 66,8%

Pesquisa aponta satisfação do eleitor com administrações

José Maria Tomazela, O Estadao de S.Paulo

25 de outubro de 2008 | 00h00

Dos 3.357 prefeitos que concorreram à reeleição em todo o Brasil, 2.245 foram reeleitos no primeiro turno. O índice, de 66,8%, é o maior desde as eleições de 2000, as primeiras em que os prefeitos puderam disputar um novo mandato. Segundo estudo da Confederação Nacional de Municípios (CNM), em 2000, foram reeleitos 58% dos prefeitos e, em 2004, 58,3%. A pesquisa revela que, em janeiro de 2009, 59% dos prefeitos vão estar no primeiro mandato e 41% serão candidatos reeleitos, a menor diferença registrada até hoje - o índice de renovação sempre foi maior que o de reeleição.Os Estados do Ceará (75%), Paraíba (74,3%) e Acre (73,3%) foram os que mais reelegeram prefeitos. Dos 108 candidatos que concorreram às prefeituras cearenses, 81 conseguiram um novo mandato. Mato Grosso foi o que menos reelegeu (49,4%) - apenas 40 dos 81 concorrentes -, seguido do Amazonas (51,6%). São Paulo (72,4%) ficou em sexto lugar, à frente do Paraná (71,4%). O Rio de Janeiro aparece em décimo lugar com 68,2%. Por região, o Sudeste liderou, com média de 68,4%. No Nordeste, a média foi de 67,9 e, na Região Sul, de 66,1%. Os índices mais baixos, de 60,7% e 58,7%, ocorreram, respectivamente, no Norte e Centro-Oeste. Também houve candidaturas únicas em 130 cidades e, na maioria, os prefeitos buscavam um novo mandato. O presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, considera que a tendência de manter prefeitos é nova, pois nas eleições anteriores o índice de renovação estava acima de 60%. Ele acredita que o fator decisivo para a manutenção dos mandatários no poder foi a boa gestão. A pesquisa da CNM constatou que a avaliação positiva da administração pelo eleitor teve influência no voto. "Avaliamos a gestão com base em 14 indicadores, principalmente em termos de responsabilidade fiscal e resultados sociais dos gastos públicos. Concluímos que, em 60% dos casos de reeleição, houve melhoria nesses indicadores." Para mensurar essa relação, a entidade utilizou indicadores como o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e o Índice de Responsabilidade Fiscal e Social (IRFS). Ficou evidente, segundo Ziulkoski, que uma boa gestão dos recursos tem impacto no voto. "A relação é bem direta: onde houve essa melhoria, o prefeito foi reeleito." O aumento no porcentual de reeleitos foi proporcional à avaliação positiva das administrações. "Isso demonstra que a população que vota observa se tem luz na rua, se o lixo é retirado com assiduidade, se a merenda do filho na escola melhorou." O prefeito de Lins, Waldemar Casadei, do PMDB, teve o melhor desempenho entre os que disputaram as prefeituras paulistas no primeiro turno. Foi reeleito com 92,58% - sua única concorrente, a ex-prefeita Valderez Moya (PT) obteve 7,42%. Outros candidatos receberam porcentual maior - 36 foram eleitos com 100% dos votos válidos - porque seus concorrentes tiveram as candidaturas impugnadas pela Justiça Eleitoral. Casadei, que vai administrar a cidade de 71.382 habitantes pela quarta vez, investiu pesado em infra-estrutura urbana. Nos últimos oito anos, o IDH de Lins subiu 30 posições no ranking estadual. Em 2000, a cidade estava em 73º lugar, com índice de 0,78. Hoje, tem 0,83 e está em 43º, segundo o IBGE. FRASEPaulo ZiulkoskiPresidente da CNM"Avaliamos a gestão com base em 14 indicadores, de responsabilidade fiscal e resultados sociais dos gastos públicos. Concluímos que, em 60% dos casos de reeleição, houve melhoria nesses indicadores. A relação é bem direta: onde houve essa melhoria, o prefeito foi reeleito"

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