Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Indicado resiste a pressão com paciência e até piada

Fachin adota polidez ao responder questionamentos de senadores em sessão que se iniciou com forte atuação da oposição e ao final teve aplausos e risos

Isadora Peron, O Estado de S. Paulo

13 de maio de 2015 | 00h31

Brasília - As quase 11 horas de sabatina do jurista Luiz Edson Fachin, uma das mais longas da história do Senado, foram marcadas por dois momentos diferentes. O início, com forte atuação dos opositores ao nome do indicado para o Supremo Tribunal Federal, e o final, com o advogado arrancando risos e aplausos.

No começo da sessão, oposicionistas como Ricardo Ferraço (PMDB-ES), Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) e Ronaldo Caiado (DEM-GO) tentaram encerrar a sessão sob alegação de que, como seria ilegal a atuação de Fachin como advogado quando era procurador no Paraná, o Congresso não deveria nem sequer sabatiná-lo.

O ânimo da oposição foi arrefecendo com o passar das horas e das respostas dadas por Fachin, que em nenhum momento mostrou irritação ou impaciência com as questões, muitas vezes repetitivas. No início da noite, após mais de sete horas de sabatina, o senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) chegou a sugerir que a sessão fosse suspensa. Nem metade dos inscritos havia falado e o tucano alegou que isso seria um desrespeito com o sabatinado.


O senador José Pimentel (PT-CE), que presidia a sessão, fez troça do colega e disse que a sabatina seguiria, se preciso, até a madrugada. Fachin não apresentou objeção.

Preparação. Apesar do desprendimento de Fachin ao longo da sabatina, o jurista começou sua exposição na defensiva, explicando-se sobre temas que haviam provocado polêmica. Disse que era um sobrevivente do processo de escolha ao Supremo e se emocionou ao lembrar dos pais. 

Apesar de a sessão estar marcada para 10h, Fachin chegou por volta das 8h30 ao Senado com a família – mulher, filhas e genros – e uma claque de autoridades do Paraná, incluindo o governador Beto Richa (PSDB). O jurista ficou numa sala reservada à espera dos senadores e, antes de entrar no plenário fez uma oração com a mulher, Rosana, com quem está casado há 37 anos.

Na sabatina, Fachin fez só uma pausa de cinco minutos para ir ao banheiro. Na volta, uma das duas filhas lhe entregou um misto quente, que àquela altura já estava frio. Comeu metade do sanduíche, para não se atrasar.

Já no fim da sabatina, Fachin arrancou risos e aplausos da plateia. Após uma longa intervenção, o senador Omar Aziz (PSD-AM) questionou a opinião do jurista sobre a Zona Franca de Manaus. Os senadores suspiraram cansados e o advogado, percebendo a situação, respondeu: “Senador Omar Aziz, Zona Franca de Manaus, francamente...”. Aziz respondeu com um animado “obrigado, ministro”, esquecendo que ainda falta o aval do plenário da Casa.

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