Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Indicado por Wajngarten, novo ministro da Saúde deve retomar entrevistas alinhado ao governo

Demitido, Luiz Henrique Mandetta confrontava presidente Jair Bolsonaro afirmando que se baseava na ciência para tomar decisões

Jussara Soares, O Estado de S.Paulo

17 de abril de 2020 | 19h15

BRASÍLIA – O novo ministro da Saúde, Nelson Teich, pretende retomar a rotina de coletivas de imprensa com panoramas diários da covid-19 a partir do início próxima semana. Nomeado pelo presidente Jair Bolsonaro com apoio do chefe da Secretaria Especial de Comunicação (Secom), Fabio Wajngarten, Teich deve adotar uma relacionamento com a imprensa alinhado à Presidência. 

Nesta sexta-feira, 17, os números do coronavírus foram divulgados pela internet, mas não apresentados em uma entrevista para jornalistas, como vinha ocorrendo diariamente desde o início da crise. Também não haverá declarações no sábado e domingo. A orientação do governo foi que, antes de se submeter a uma sabatina sobre o avanço da doença no País e sobre como vai trabalhar, ele precisava de tempo para conhecer o funcionamento da pasta.

Segundo interlocutores do Planalto, o novo ministro não recebeu nenhuma orientação sobre como se relacionar com a imprensa. Entretanto, pela proximidade com Wajngarten, o novo ministro vai atuar alinhado com a estratégia de comunicação que o presidente deseja.

Após tomar posse no Palácio do Planalto na manhã desta sexta, 17, Teich seguiu para o Ministério da Saúde acompanhado do secretário adjunto da Secom, Samy Liberman. Ao longo de todo o fim de semana, segundo um interlocutor, ele deve se dedicar em conhecer os detalhes da pasta. Um auxiliar do Planalto justificou a presença do adjunto de Wajngarten como um auxílio para o novo ministro, que acaba de desembarcar em Brasília para assumir não apenas um ministério, mas para conduzir a crise do coronavírus.

Um dos motivos que levaram ao desgaste de Mandetta com Bolsonaro foi justamente a maneira como se relacionava com a imprensa. O ex-ministro diariamente defendia o isolamento social, seguindo diretrizes de autoridades sanitárias em todo o mundo como medida eficaz para combater a pandemia. Já Bolsonaro quer o distanciamento apenas para idosos e pessoas com doenças. Outro ponto de divergência entre ambos foi o uso da cloroquina, cujas pesquisas até neste momento são inconclusivas sobre sua eficácia e efeitos colaterais.

No final de março, as coletivas que, antes eram realizadas no Ministério da Saúde, passaram a ocorrer no Palácio do Planalto sob coordenação da Casa Civil, chefiada pelo ministro Walter Braga Netto. O objetivo era tentar unificar os discurso e dar ao presidente o controle da divulgação das ações. Mandetta, no entanto, seguiu confrontando as opiniões do presidente, dizendo que se baseia na ciência.

Ao ser apresentado na quinta-feira, 17, Teich apresentava nervosismo e, segundo seus interlocutores, estava cansado. O novo ministro foi pego de surpresa com as seguidas entrevistas a programas de televisão. Nas redes sociais, o desempenho tímido de Teich foi comparado ao estilo de Mandetta, que, além de usar a linguagem fácil de médico ortopedista, passou oito anos como deputado federal. 

Na avaliação de um auxiliar palaciano, é “inegável” a oratória do ex-ministro e Teich foi desfavorecido pela mudança ter sido feito de modo rápido e com muita exposição.

Até agora, o novo ministro ainda não conseguiu detalhar sua estratégia para o combate do coronavírus. Ao tomar posse, disse que a atuação da pasta será focada nas pessoas e que os mais pobres sofrerão com maior intensidade os efeitos da pandemia do coronavírus. No dia anterior, também sem especificar, defendeu um “programa de testes” para aumentar o conhecimento sobre a doença.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.