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Indicado para presidente da comissão do impeachment deve rejeitar pedido de troca de relator

Senador Raimundo Lira (PMDB-PB) fez consulta à área técnica do Senado para sobre rejeitar questões de ordem que devem ser propostas por petistas que pretendem retirar da relatoria o tucano Antonio Anastasia (MG)

Ricardo Brito, O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2016 | 16h13

Brasília – O senador Raimundo Lira (PMDB-PB), indicado para ser presidente da Comissão Especial do Impeachment da presidente Dilma Rousseff, deve rejeitar um eventual questionamento que senadores petistas pretendem fazer para retirar da relatoria o tucano Antonio Anastasia (MG). A eleição dos 42 integrantes da comissão, 21 titulares e 21 suplentes, será realizada ainda na tarde desta segunda-feira, 25, no plenário do Senado. Nesta terça, serão eleitos os responsáveis para comandar os trabalhos do colegiado.

Mesmo antes de ter seu nome confirmado, conforme apurou o Broadcast Político, serviço em tempo real da Agência Estado, Lira já consultou a área técnica do Senado para rejeitar questões de ordem que deverão ser propostas sobre esse assunto. Lira vai confirmar o entendimento firmado pelos líderes partidários na semana passada que as escolhas para a comissão têm de levar em conta os blocos partidários. Foi esse o critério que a Casa adotou para as indicações dos blocos para o colegiado.

Os governistas devem questionar formalmente nesta segunda, durante a eleição dos integrantes da comissão especial, a escolha de Anastasia como relator. Vão dizer que o tucano, aliado de Aécio Neves, é de um partido declaradamente interessado no impeachment de Dilma e que a escolha de relatores teria de respeitar o critério do tamanho dos partidos e não dos blocos partidários. A tendência é repetir os questionamentos, nesta terça, durante a primeira reunião da comissão.

Pelo critério dos partidos, PT e PSDB, com 11 senadores cada, teriam direito a disputar o cargo de relator. Contudo, o acerto da semana passada privilegiou a escolha por meio de blocos partidários, com o do PSDB, com 16 senadores, superando o do PT, com 14. Por isso, ficaram com a relatoria – o PMDB, maior bancada, com 18 senadores, preferiu a presidência. Tucanos e peemedebistas fizeram um acordo para a escolha dos dois postos.

Os petistas não querem a relatoria, apenas um indicado para o cargo que não seja tucano e sugerem como nomes Roberto Rocha (PSB-MA), Wellington Fagundes (PR-MT), Gladson Cameli (PP-AC) e Otto Alencar (PSD-BA).

O líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira (CE), já indicou a aliados que não deve respaldar um eventual questionamento dos petistas para barrar Anastasia do cargo de relator.

O futuro presidente da comissão tem trabalhado com um calendário pelo qual o colegiado votará o parecer no dia 9 de maio, uma segunda-feira, e dois dias depois, em plenário. Nessa conta, está envolvido o prazo máximo de defesa ao governo, de 10 dias.

Ele tem dito a pessoas próximas que não acredita em sucesso de um eventual recurso do governo ao STF para interromper a votação dos senadores que decidirá pelo afastamento de Dilma. A presidente será retirada do cargo por 180 dias se houver uma maioria de senadores favoráveis, após o registro de presença de pelo menos 41 parlamentares.

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