DANIEL TEIXEIRA | ESTADAO CONTEUDO
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Indicado para presidência de comissão do impeachment muda voto ‘sim’ por ‘indeciso’

Raimundo Lira alega que terá de adotar posição isenta ao explicar alteração e diz que vai respeitar prazos do rito

Ricardo Rossetto, especial para O Estado e Ricardo Brito, O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2016 | 20h35

BRASÍLIA - O senador Raimundo Lira (PMDB-PB) mudou seu posicionamento sobre o impeachment da presidente Dilma Rousseff após ter sido indicado nesta quarta-feira, 20 para presidir a Comissão Especial que vai analisar o processo no Senado. Antes favorável ao afastamento, agora ele se diz indeciso.

Em nota publicada em seu site oficial na segunda-feira, 18, Lira disse que já tinha se colocado favorável à admissibilidade do processo antes mesmo da votação na Câmara, realizada no domingo. Em resposta ao Placar do Impeachment do Estado, a assessoria do parlamentar também tinha confirmado o voto “sim”.

Tão logo a bancada do PMDB anunciou os indicados para a comissão, a nota foi apagada do site de Lira. Ao Estado, o senador afirmou que agora está “indeciso”, e que sua posição, a partir de segunda-feira, quando será instalado o colegiado, será suprapartidária.

“Não posso entrar com um lado identificado com essa questão. Quero assumir a Presidência da Comissão sem juízo de valor, para ter liberdade de conduzir o processo e respeitar o contraditório”, disse Lira.

A remoção da notícia 552 do site do senador foi feita a pedido do próprio. Lira justificou a medida dizendo que presidirá sessões tensas e com senadores favoráveis e contrários ao impeachment. “Por isso, minha posição tem que ser isenta, porque estamos começando um processo, e ainda não temos uma definição clara do que vai acontecer no dia seguinte.”

Lira é o segundo senador a deixar de ser favorável ao afastamento, conforme o Placar do Impeachment no Senado. Antes, a também peemedebista Sandra Braga (AM), mulher e suplente do ex-ministro Eduardo Braga, passou a não divulgar o voto.

Prazo. Na primeira entrevista coletiva após a indicação, Lira afirmou que pretende usar o prazo máximo previsto pela lei para o rito do processo, a fim de permitir um amplo direito de defesa de Dilma. “Tudo o que possamos dentro do regimento e das leis que regulamentam essa atividade, daremos todas as condições para que a defesa seja feita da melhor forma e mais completa”, disse.

Ao ser questionado sobre a mudança de posição no Placar do Impeachment no Senado, Lira alegou que a posição a favor do afastamento havia sido tomada por unanimidade pelo diretório do PMDB na Paraíba e também é a posição da legenda em nível nacional – a rigor, o PMDB nacional não fechou questão contra Dilma.

Lira confirmou que a eleição dos 21 integrantes da comissão, inclusive dele próprio, será feita na segunda-feira. Ele espera instalar o colegiado no dia seguinte, a partir das 10 horas.

Após a indicação feita pelo líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira (CE), Lira disse já ter se reunido com uma equipe de consultores e assessores da Casa para discutir os trabalhos da comissão. Ele afirmou que começará a analisar o rito com maior profundidade, na próxima sexta, 22.

Lira elogiou a indicação do tucano Antonio Anastasia (MG) para a relatoria. “Se eventualmente for o senador Antonio Anastasia, acho muito sério, competente, preparado, moderado. Faremos uma boa dupla.”

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