Indicado para ministério, França fica com Alckmin

Titular de Turismo não vê contradição pelo fato de o seu partido apoiar Dilma; tucano ainda confirma Bruno Covas e Edson Giriboni

Anne Warth / SÃO PAULO, Agência Estado

28 Dezembro 2010 | 21h30

O governador eleito Geraldo Alckmin confirmou nesta terça-feira, 28, mais três secretários de seu governo – Bruno Covas para o Meio Ambiente, Edson Giriboni para Saneamento e Recursos Hídricos e Márcio França, do PSB, para o Turismo. Com as três escolhas, o tucano completa 19 indicações. As oito que faltam devem ser anunciadas em dois dias. "Se não amanhã, na quinta", prometeu ele na entrevista.

 

Pertencendo a um partido que apoiou a presidenciável Dilma Rousseff, do PT, França afirmou, pouco depois, que não vê nenhuma contradição em compor, agora, um secretariado da oposição. "Entendo que eu e o partido todo podemos colaborar com a gestão do governador", afirmou o futuro secretário do Turismo paulista. "Não acho contraditório. Acho, na verdade, honroso."

 

Duas vezes prefeito de São Vicente, no litoral paulista (entre 1997 e 2004), Márcio França diz que o PSB não considerou incompatível fazer parte de um governo politicamente rival. Antes de dizer sim ao convite tucano, ele consultou os dois governadores do PSB – Eduardo Gomes (PE) e Cid Gomes (CE). "Eles entenderam também que era bom eu estar participando do governo de São Paulo e é isso que eu estou fazendo."

 

O partido ocupa dois ministérios do futuro governo Dilma Rousseff – Integração Nacional, com Fernando Bezerra, e Portos, com Leônidas Cristino.

 

Quanto aos nomes que faltam, Alckmin não decidiu ainda se manterá a Secretaria de Comunicações ou a reduzirá a uma coordenadoria subordinada à Casa Civil. Por enquanto, ele extinguiu a Secretaria do Ensino Superior e a de Relações Institucionais. Falta escolher os secretários de Cultura, Agricultura, Energia, Assistência e Desenvolvimento Social, Gestão Pública, Esporte e Lazer e Gestão e Desenvolvimento Metropolitano.

 

Partidário. "A eleição acabou em outubro e não existe um terceiro turno", explicou França, que ressaltou o fato de estar "há muitos anos" no PSB, do qual é secretário nacional do PSB.

 

De acordo com ele, a escolha de Dilma por nomes do PSB do Nordeste levou em conta uma situação regional. "A escolha da presidente Dilma foi regional e priorizou uma situação do Pernambuco e do Ceará. Eu era indicado pela bancada do partido. À medida que não havia outro espaço, surgiu a oportunidade em São Paulo."

 

França disse que seu principal desafio será organizar a secretaria – que foi desmembrada por Alckmin da antiga Secretaria de Esportes e Turismo e ainda não tem orçamento definido. Uma de suas prioridades será a criação de um novo centro de convenções na capital paulista para receber eventos de porte.

 

Na entrevista, Alckmin brincou de imitar a voz do deputado Paulo Maluf (PP-SP), que elogiou a escolha de Emanuel Fernandes para o Planejamento. "Alckmin, você está de parabéns", disse o governador, com o tom de voz do velho rival político. "Eu também, se fosse governador, iria indicar o Emanuel."

 

Cunhado investigado. O governador não quis comentar, no encontro, a informação de que a polícia fez anteontem uma busca na casa de seu cunhado, o empresário Paulo Ribeiro. "Olha, nenhum comentário a fazer", reagiu Alckmin ante a notícia de que Ribeiro – que é irmão de sua mulher, Lu – faria parte de um cartel acusado de faturamento de merenda escolar em contratos com várias prefeituras do País.

 

O processo em que Ribeiro aparece investigado corre em segredo de Justiça. Segundo o Ministério Público, várias empresas pagariam, em troca dos contratos, entre 5% e 15% dos valores recebidos. As propinas chegariam a R$ 280 milhões.

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