Indicado do PT no Dnit diz que nível de irregularidades é 'muito pequeno'

Hideraldo Caron enviou nesta sexta-feira carta de demissão ao ministro dos Transportes

Eduardo Bresciani, do estadão.com.br

22 de julho de 2011 | 18h12

BRASÍLIA - De saída da diretoria de Infraestrutura Rodoviária, o petista Hideraldo Caron, classificou como "muito pequeno" o nível de irregularidades no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). Caron atribui sua demissão a "circunstâncias políticas" e disse que só está anunciando a decisão nesta sexta-feira, 22, porque a revisão do orçamento das obras pedido pela presidente Dilma Rousseff foi concluída. Ele afirmou que combinou com o ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, que permanecerá mais alguns dias no cargo para fazer a "transição" para quem for indicado para substituí-lo.

 

"O Dnit melhorou muito. Com o volume de obras que temos, o nível de irregularidades que tivemos é muito pequeno e isso é uma conquista de todos os nossos funcionários", disse Caron.

 

Ele atribuiu o volume de irregularidades apontadas por órgãos de controle ao fato de o órgão ser responsável pela execução da maior parte das obras do governo federal. Caron afirmou que "nenhum sistema" está imune a algum tipo de desvio ou execução incorreta. Ele destacou que o número de obras do órgão que estão tendo o repasse suspenso tem reduzido nos últimos anos.

 

Questionado sobre se concordava com a "faxina" feita pela presidente com a demissão de diversos funcionários da área de Transportes, o diretor afirmou que "não precisava" e que muitas das demissões são "desnecessárias". Disse, porém, entender que há uma decisão política de reestruturar a área. "O trabalho que fizemos aqui deu resultado, as circunstâncias políticas estão levando a este epílogo, ele é natural, não estou nem um pouco desanimado ou desiludido com isso".

 

Canoas. Sobre a reportagem do jornal O Estado de S.Paulo que mostra que o diretor participou da liberação de R$ 30 milhões para um aliado construir casas, Caron justificou a medida afirmando que o assentamento de famílias faria parte de exigências da licença ambiental da obra da rodovia BR-448. Apesar dos pareceres contrários à obra emitidos pela Advocacia-Geral da União, Caron afirma que o DNIT se baseou em uma consulta feita à Secretaria de Orçamento e Fiscalização do Ministério do Planejamento.

 

O diretor afirmou que se optou por construir a casa por um convênio com a prefeitura de Canoas, pela qual responde o petista Jairo Jorge, por ser mais barato. Afirmou ainda que o aliado foi "altruísta" ao ceder o terreno para que as famílias que viviam em locais próximos à BR fossem assentadas.

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