Indicação de Virgílio pode selar paz na base aliada

Após meses de pressão política e negociações, o PFL volta a integrar o colégio de líderes do governo no Congresso, aquele seleto grupo de parlamentares que defendem os interesses do Palácio do Planalto no Legislativo, com a indicação do deputado Heráclito Fortes (PI) para a liderança do governo no Congresso.O pefelista vai assumir o lugar de seu colega Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM), que acertou hoje com o presidente Fernando Henrique Cardoso sua ida para a Secretaria-Geral da Presidência. O efetivo apaziguamento dos partidos aliados, entretanto, ainda depende de um gesto do presidente para o PMDB, que continua aguardando a nomeação do senador Ney Suassuna (PB) para o ministério da Integração Nacional.O deputado Arthur Virgílio foi chamado à capital federal pelo presidente e teve de interromper compromissos políticos em Manaus, seu reduto eleitoral, para ser feito ministro. Ele almoçou no Palácio da Alvorada, a residência oficial da Presidência, e voltou imediatamente para o Amazonas. "No País do futebol, que por sinal anda mal, com o técnico escalando eu procuro jogar da melhor maneira possível", avisou.Sua passagem pela Esplanada dos Ministérios será curta, ele deixa o governo em abril para disputar as eleições, mas ele está confiante de que fará um bom trabalho. "Se o presidente escolhe alguém que vai ser candidato é porque esse alguém terá um projeto de curto prazo", admitiu o deputado tucano. "Se alguém é ministro por alguns meses tem que dar o melhor de si". A troca de postos no Congresso foi confirmada pelo porta-voz da Presidência da República, ministro Georges Lamazière.Colaboradores próximos ao presidente garantem que a nomeação de Ney Suassuna será anunciada amanhã, antes que o presidente embarque para uma série de viagens ao exterior. Fernando Henrique segue para a Espanha na quinta-feira, passa pela França e volta para o Brasil apenas no dia 31. Um importante interlocutor no Planalto chegou a afirmar que o convite fora feito hoje, por telefone, fato negado por Suassuna. "Não recebi nada, só acredito no ovo quando o vejo na minha frente", reagiu o senador, no meio da tarde. Consultado, Lamazière reafirmou que o presidente ainda não tomara uma decisão.As mudanças anunciadas nesta semana são parte do derradeiro esforço de Fernando Henrique para desanuviar o clima de tensão no Congresso e garantir a aprovação dos projetos que considera prioritários nesses meses que antecedem o início do calendário eleitoral. O mais importante deles é o Orçamento da União para 2002.Trincada em decorrência de diversos confrontos - que incluem a briga entre os ex-senadores Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e Jader Barbalho e a disputa pela presidência da Câmara e do Senado - a aliança governista continua em pé de guerra por espaço no governo, mas é o PFL quem tem reclamado com mais veemência impondo dificuldades até para votações tradicionalmente fáceis, como a ratificação das indicações de embaixadores brasileiros no exterior.Essa movimentação dos políticos, entretanto, não deverá ser o ponto forte da última reforma ministerial de Fernando Henrique Cardoso. Mais da metade dos 24 ministros deverá deixar o cargo até abril do próximo para disputar as eleições e a expectativa é que o presidente componha uma equipe eminentemente técnica para o derradeiro ano do seu segundo mandato. O político tucano já avisou a seus colaboradores que gostaria de remontar sua equipe em dezembro, mas tem enfrentado resistências. Alguns ministros pretendem deixar o governo até dezembro, como o titular dos Transportes, Eliseu Padilha, e outros devem fazê-lo apenas em janeiro, caso de José Serra, da Saúde.

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