Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Indicação de Moro a ministério lidera postagens relacionadas a Bolsonaro no Twitter

Presidente eleito foi citado 3,7 milhões de vezes no Twitter na última semana; 15% das postagens se referiam ao juiz federal

Carla Bridi, O Estado de S.Paulo

08 Novembro 2018 | 20h02

A indicação do juiz federal Sérgio Moro ao cargo de ministro da Justiça pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro, foi o destaque da semana no Twitter: entre os dias 1º e 7 de novembro, Bolsonaro foi citado em 3,7 milhões de publicações na rede social, sendo que quase 15% destas também se referem ao futuro ministro. 

A análise foi apresentada pela Diretoria de Análise de Políticas Públicas (DAPP) da Fundação Getúlio Vargas (FGV) nesta quinta-feira, 8. Moro lidera em disparada as postagens associadas a Bolsonaro, com mais de 500 mil tuítes. O segundo colocado, o vice presidente eleito General Mourão, registrou quase 90 mil. A lista segue com nomes de outros ministros nomeados, acompanhando a transição do governo em andamento na capital federal. As exceções são o nome do atual presidente Michel Temer e do senador Magno Malta, cotado para ministério, mas ainda não confirmado. 

Outro dado relevante é que uma em cada cinco postagens com Moro também envolve o nome do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso pela Operação Lava Jato. Algumas criticam a condenação de Lula por parte de Moro no âmbito da investigação e a aceitação de um cargo político pelo juiz. Lula foi preso no dia 7 de abril deste ano, um dia depois da ordem de prisão expedida por Moro. 

Segundo o estudo, o termo "corrupção" foi o mais utilizado nestas postagens na última semana, registrando mais de 520 mil tuítes. Em segundo lugar, "economia" foi citada 346 mil vezes.

Apesar do número de perfis favoráveis a Bolsonaro não ser maioria no Twitter, somando 31%, o número de interações desse público é maioria na rede social nas postagens relacionadas ao futuro presidente, com 54,2%. Em comparação, a maioria dos perfis na rede social que mencionaram Bolsonaro na última semana têm posicionamento contrário ao político. São quase 38% dos usuários, porém o número de postagens destes na rede somou somente 15%. Esse grupo também é o que mais interage com perfis da imprensa tradicional. 

A formação de uma oposição relevante é separada de apoio político. Segundo avalia a DAPP, "Conforme vai se organizando em torno de Bolsonaro e de seu futuro governo o debate político no Twitter, diminui a atuação de uma base de oposição alinhada ao PT, com o grupo de perfis contrários ao presidente eleito, mas não petistas, se posicionando como grupo mais forte de contraposição ao núcleo pró-Bolsonaro". 

A oposição a Bolsonaro registrada no Twitter que declara apoio ao PT, apesar de ser minoria em número de contas, chega a ser mais ativa. 26% das interações são originárias desse grupo, quase o dobro da parcela da oposição que não declara apoio político, mas somente 19% dos perfis pertencem a esse nicho.

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