Indicação de Amir Lando vinha sendo negociada há meses

A indicação do senador peemedebista Amir Lando (RO) para o cargo de líder do governo no Congresso vinha sendo negociada com o PMDB há pelo menos três meses. Nesse período, o lugar foi ocupado provisoriamente pelo líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT). O cargo de líder no Congresso dá destaque ao parlamentar, mas não tem a mesma importância das lideranças no Senado e na Câmara. O Congresso (Câmara e Senado reunidos, com votação separada por Casa) aprecia apenas a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), o Orçamento-Geral da União e os vetos presidenciais. Neste ano, por exemplo, não fez ainda nenhuma reunião.Com Amir Lando, o governo continua a atrair o PMDB para a sua base. O partido, que ainda não tem ministério, garantiu uma diretoria de Furnas para o deputado Marcos Lima (MG) e a direção da Transpetro, transportadora da Petrobrás, para o ex-senador Sérgio Machado (CE). O ex-deputado Marcelo Barbieri (SP), da ala quercista, já trabalha com José Dirceu na Casa Civil. Amir Lando disse hoje que será encontrado um consenso no Congresso na votação das reformas tributária e previdenciária. Lando lembrou que essas propostas eram defendidas no passado também pela atual oposição ao governo, o que, no seu entender, deverá facilitar o debate. "Ninguém negará o passado", afirmou Lando, ao chegar ao Palácio Rio Branco, onde participa da reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com governadores da Região Norte do País. Lando disse que o PMDB tem um "ideário que se aproxima muito dos propósitos do Governo Lula", e que o fato de vir a ocupar a liderança do governo e de o partido eventualmente vir a ganhar ministérios "dá ao governo um ponto de partida" para contar com o apoio das bancadas peemedebistas no Congresso. "Como líder no Congresso, vou cuidar de matérias específicas: PPA (Plano Plurianual de Investimentos), LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) e LOAS (Lei Orgânica da Assistência Social)", afirmou. Quanto à cobrança dos inativos, o ponto mais polêmico da reforma da Previdência, o futuro líder evitou falar sobre o assunto, limitando-se a observar que a reforma deve ter como enfoque preservar a Previdência pública e acabar com a corrupção.

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