´Independentes´ fazem pacto para não deixar conselho

Aliados de Renan pressionam, mas senadores não renunciam ao Conselho de Ética

Agencia Estado

02 de julho de 2007 | 09h32

Acuados com a pressão de integrantes do PMDB para que deixem seus postos no Conselho de Ética, quatro dos 16 membros do órgão decidiram nesta sexta-feira, 29, fechar um pacto de unidade. Os senadores do chamado "grupo independente", todos da base aliada do governo, descartaram qualquer hipótese de renunciar às suas cadeiras. "Fomos indicados pela liderança de nossos partidos para o Conselho e os nossos nomes foram aprovados em plenário. Nosso mandato é de dois anos e não vamos sair", avisou Eduardo Suplicy (PT-SP).Segundo ele, o acordo foi firmado entre ele e os senadores Renato Casagrande (PSB-ES), João Pedro (PT-AM) e Augusto Botelho (PT-RR). "Nós não podemos ser substituídos no Conselho de Ética, a não ser que nós renunciássemos. Mas isso não vai acontecer", disse Suplicy.Os senadores do PT também fecharam apoio junto a Casagrande para que ele seja mantido relator do processo no Conselho de Ética que apura se o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), quebrou o decoro parlamentar. Renan é acusado de ter suas despesas pessoais pagas - como a pensão para a jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha fora do casamento - pelo lobista Cláudio Gontijo, da empreiteira Mendes Júnior. Na quarta-feira, Casagrande foi indicado relator pelo novo presidente do conselho, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), que, no entanto, "o desconvidou" no dia seguinte. A decisão sobre o futuro relator só deve sair na segunda-feira.Oficialmente, no PMDB ninguém admite a movimentação para que o grupo de senadores "independentes" seja afastado do conselho. A tentativa dos peemedebistas é evitar votos contrários a Renan. Seguindo esse raciocínio, o caminho seria substituí-los por senadores mais alinhados com o presidente da Casa.O líder do PMDB no Senado, Romero Jucá (RR), negou qualquer pressão para substituição de senadores no colegiado. "O PMDB não está atropelando ninguém, nem fazendo nenhuma chantagem com os senadores. O que ele quer é que o processo de investigação do senador Renan Calheiros seja feito dentro dos princípios da democracia e do amplo direito de defesa. O PMDB trabalha para que tudo seja devidamente esclarecido", assegurou. (Colaborou Marcelo de Moraes)

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.