Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Unir trabalho e previdência vai criar um ministério 'muito grande', avalia Manoel Dias

Mininistro diz que, da última vez que as duas pastas foram unidas, 'durou seis meses' e que 'crescer demais pode prejudicar o atendimento na ponta'; Dilma decidirá novo formato da Esplanada após retornar de viagem a Nova York

Fernanda Nunes , O Estado de S. Paulo

25 de setembro de 2015 | 12h14

Atualizada às 13h06

RIO - O PDT continuará na base aliada do governo, independentemente da nova divisão de cargos ministeriais que a presidente Dilma Rousseff deve promover nos próximos dias, segundo o ministro do Trabalho e Emprego, Manoel Dias. Ele disse que não chegou a ser procurado pela presidente para tratar do futuro do ministério, contudo, afirmou que uma possível fusão com o Ministério da Previdência, como está sendo avaliado pelo governo, deve gerar um "ministério muito grande".

A expectativa é que a presidente anuncie a reforma ministerial ao retornar de Nova York, na próxima semana. A junção das duas pastas, ocupadas hoje por PT e PDT, é uma das possibilidades discutidas por Dilma.

Nessa quinta-feira, 24, Dias confirmou haver discussões sobre a fusão entre os ministérios da Previdência e do Trabalho. "Nossa preferência seria pelo Trabalho, do ponto de vista político, ideológico, programático, histórico. Não somos nós quem montamos o governo, é a presidenta. Está sendo discutida a fusão com a Previdência. São dois ministérios muito fortes, muito grandes. Por três vezes se fez essa junção e da última durou seis meses. São ministérios que mais têm postos de atendimento pelo Brasil afora, então crescer demais pode prejudicar o atendimento na ponta", pontuou.

Dias afirmou ser um "representante partidário" no Ministério do Trabalho e que o seu nome em si não tem importância. "Há uma tendência nacional histórica do PDT se manter vinculado ao Ministério do Trabalho. Mas isso é a presidente quem determina. Minha função é cumprir tarefa", enfatizou.

Além de reafirmar o apoio do PDT ao governo, o ministro criticou qualquer movimento de "ataque à democracia", em referência a um possível pedido de impeachment da presidente. "Liberdade e democracia são causas fundamentais. Apoiamos a democracia. Respeitamos as urnas", disse.

O ministro ainda criticou a postura de "setores sectários da Direita" em relação aos pedidos de impeachment. "Estamos trabalhando para recuperar o governo neste momento de dificuldade", afirmou. "Independentemente de ficar ou não (no governo), vamos apoiá-la no sentido de garantir o processo democrático. Que haja respeito às urnas e vamos ficar sempre à disposição", completou.

"Quem perdeu pode se manifestar. Se quiser fazer panelaço, faça. Mas não pode interromper o processo democrático que elege presidentes de quatro em quatro anos", afirmou. Ele criticou a "classe média boboca" que "esquece de onde veio e nega solidariedade a quem ainda não chegou lá".

"O povo tem direito a reclamar, o momento é de dificuldade. Temos capacidade de superar a dificuldade muito maior que antes. Estão querendo disseminar o ódio, mas isso não vai prosperar no país que tem uma índole de respeito. Aqueles que não querem aceitar o resultado, se preparem para disputar as eleições de 2018. Quem ganha governa, quem não ganha fiscaliza", argumentou.

Dias ainda defendeu que o PDT lance candidatura própria para a presidência em 2018. "É desejo do partido e um dever de propor um modelo de país que nós sonhamos. Podemos ser em 2018 a grande alternativa do campo popular. Mas é importante construir uma proposta que possa emocionar a população. Ciro Gomes hoje é o nome mais representativo", afirmou.

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