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Independência em xeque

O iminente pedido de abertura de inquérito contra parlamentares denunciados na Operação Lava Jato deverá impor uma reavaliação na relação de forças entre os poderes Legislativo e Executivo.

JOÃO BOSCO RABELLO, O Estado de S.Paulo

22 Fevereiro 2015 | 02h02

A partir de amanhã, o pedido poderá ser encaminhado pelo Procurador-Geral, Rodrigo Janot, a qualquer momento. Já passado o carnaval, a gravidade das denúncias prometem fazer o ano começar para valer.

Beneficiária do esquema, a base do governo terá sua rebeldia testada nesse capítulo da Operação Lava Jato. Não há por que duvidar do abalo sobre os partidos que o protagonizam, com efeito sobre a supremacia recente em relação ao Planalto, liderada pelo PMDB.

O governo aguarda esse momento para tentar reequilibrar a relação de forças, embora o PT esteja no Titanic e isso possa significar a isonomia de náufragos em busca da sobrevivência.

Essa rearrumação de forças começa pelo preenchimento dos cargos de segundo escalão, com os quais o Planalto avalia compensar os partidos da base queixosos do tratamento diferenciado dado ao PT, já com o expurgo determinado pelos inquéritos no STF.

Não há sinais de envolvimento da oposição, embora pontualmente possam surgir nomes seus.

Não obstante, o Planalto pretende explorar esse eventual varejo para reforçar o discurso de que do mal da corrupção padecem todos, igualando desiguais e nivelando os partidos por baixo.

Nesse contexto, se insere a provocação da presidente Dilma Rousseff ao afirmar que a corrupção na Petrobrás, se investigada no governo do PSDB, na década de 1990, teria evitado o escândalo atual. Afora a desfaçatez do argumento, no campo judicial nada muda com isso e é cedo para um governo no segundo mês do mandato agir eleitoralmente.

Como já dito, seguir o caminho da corrupção levará a Pedro Álvares Cabral, o que não tira do PT o ineditismo de adotá-la como método dentro do governo para financiamento de campanhas e outros interesses exclusivos. A corrupção sistêmica, com evidências de projeto gerenciado de desvio de recursos públicos com fins hegemônicos, é made in PT.

Trégua e pressa. O bloqueio dos bens do ex-governador Agnelo Queiroz determinada pela Vara de Fazenda Pública do Distrito Federal, legitima o discurso de herança maldita do sucessor, Rodrigo Rollemberg(PSB), e produz uma trégua na cobrança do partido por menos discurso e mais soluções. O efeito político da decisão judicial, porém, deverá ser efêmero, e seu fim exigirá de Rollemberg mais empenho na regularização das contas do governo. O PSB não disfarça o incômodo com a visibilidade do chefe da Casa Civil, Helio Doyle, justificada como forma de poupar o governador do desgaste com o caos no DF.

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