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'Indenizações que Petrobrás tiver que pagar devem ser debitadas de corruptos', diz ministro do TSE

Herman Benajmin afirmou ter a impressão de que a estatal era um 'antro de corrupção'

Rafael Moraes Moura, enviado especial, O Estado de S.Paulo

05 de novembro de 2016 | 15h09

PORTO SEGURO - Relator do processo que pode levar à cassação da chapa vitoriosa de Dilma Rousseff e Michel Temer nas eleições de 2014, o ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Herman Benjamin disse em entrevista a jornalistas que as indenizações que vierem a ser pagas pela Petrobrás em virtude do esquema de corrupção instalado na empresa devem ser debitadas na conta dos envolvidos.

"Todas as indenizações que a Petrobrás pagar, seja de natureza contratual, seja por conta da legislação de proteção de acionistas minoritários, em decorrência do escândalo que a empresa enfrentou, isso tem que ser debitado na conta de quem causou o escândalo", defendeu Benjamin, em conversa com jornalistas durante o VI Encontro Nacional de Juízes Estaduais (Enaje), que se encerrou neste sábado em Porto Seguro.

'Podre'.  Antes dos depoimentos das testemunhas de acusação, o ministro Herman Benjamin afirmou que tinha a impressão de que a Petrobrás era um antro de corrupção, "do peão ao presidente".

Entre as 25 testemunhas de acusação já ouvidas pelo TSE estão ex-diretores da Petrobrás, executivos de empreiteiras e lobistas, muitos deles delatores da Operação Lava Jato. Nesta semana, serão ouvidas testemunhas de defesa de Dilma, como Edinho Silva e Giles Azevedo, respectivamente ex-tesoureiro da campanha de 2014 e ex-chefe de gabinete da petista.

"A imagem que eu fazia antes desses depoimentos era que a Petrobrás estava podre. E depois desses depoimentos todos, eu estou convencido de que a corrupção na Petrobrás é localizada e é sobretudo nos cargos de chefia e muito disso tem a ver com duas coisas: primeiro, com o fato de haver concurso público e, segundo, com os salários serem altos", ponderou.

"E, posso estar equivocado, mas a impressão que eu tenho é de que há um alto grau de profissionalismo na empresa. E de certa maneira isso bate com a avaliação, a imagem que a Petrobrás tem internacional. De capacidade, de técnicos, de confiança mesmo na empresa", completou o ministro.

"Eu acho que essas investigações estão contribuindo enormemente para dar transparência a um problema que é crônico da nossa história e segundo para mostrar para a população que a lei existe e que ela pode ser aplicada. Mas o maior exemplo não é só para a sociedade. É para nós juízes mesmos, internamente", afirmou o ministro.

*O repórter viajou a convite da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB)

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