REUTERS|Rodolfo Buhrer
REUTERS|Rodolfo Buhrer

Indenização de R$ 1 bi da Andrade Gutierrez será paga em oito anos

Termos que levaram ao cálculo ainda não são conhecidos; segundo fontes, na delação firmada pelo ex-presidente do grupo, citação a Antonio Palocci foi especificamente em relação ao pagamento de propina da obra da hidrelétrica de Belo Monte

Irany Tereza, O Estado de S. Paulo

08 de maio de 2016 | 16h21

BRASÍLIA - Os termos que levaram ao cálculo de R$ 1 bilhão para a indenização que a construtora Andrade Gutierrez se comprometeu a pagar no acordo de leniência no âmbito da Operação Lava Jato ainda não são conhecidos, mas, segundo uma fonte com acesso às negociações, a devolução do dinheiro será feita em parcelas, ao longo de cerca de oito anos.

Também de acordo com fontes, na delação firmada pelo ex-presidente do grupo, Otávio Marques de Azevedo, a citação ao ex-ministro Antonio Palocci (Casa Civil na primeira gestão de Dilma e Fazenda no governo Lula) foi especificamente em relação ao pagamento de propina da obra da hidrelétrica de Belo Monte, no Pará.

O ex-executivo apontou pagamento de cerca de R$ 150 milhões em propina na obra da usina, valor referente ao acerto de 1% sobre contratos. O dinheiro teria como destino o PT e o PMDB e agentes públicos ligados às legendas.

A Andrade Gutierrez teve papel central na formação dos consórcios que atuaram nas obras de Belo Monte. Além da empreiteira, a Camargo Corrêa, Odebrecht, OAS e Queiroz Galvão também participaram das obras. Ao todo, 10 empresas faziam parte dessa sociedade para execução dos serviços de construção da unidade. Cada empreiteira ficou responsável pelo pagamento de um porcentual relativo a fatia de obras controlada por ela.

O leilão para construção e operação de Belo Monte foi realizado em abril de 2010 e as obras fechadas em 2011. Dois consórcios disputaram o leilão da usina: o vencedor Norte Energia, formado por Chesf, Queiroz Galvão, OAS, Mender Jr entre outras, e o derrotado Belo Monte Energia, que tinha como sócios as estatais Furnas e Eletrosul, e a empreiteira Andrade Gutierrez.

Em relação aos ministros Edinho Silva (Secom) e Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo), as informações referem-se a doações para a campanha de Dilma Rousseff à presidência, em 2014, pelo esquema de caixa 2. A mesma acusação é feita ao tesoureiro da campanha do PT João Vaccari Neto.

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