Indefinição do PSDB colabora para desempenho de Lula, diz analista

A falta de definição do nome do candidato do PSDB à presidência da República está colaborando para o crescimento da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva. A avaliação é do cientista político Fernando Abrucio, convencido de que os tucanos erraram ao não terem escolhido o seu candidato em outubro ou novembro de 2005. "A briga interna está nublando a visão do PSDB em relação às pesquisas. Os tucanos estão mais preocupados em ganhar a briga interna do que ganhar a eleição", disse. "Eles brigam mais entre si, do que contra o governo Lula".Para o cientista político, os tucanos foram "incompetentes" na condução da crise política. "Ficaram inebriados com as denúncias. Pensaram ser o PT da década de 90", comentou. Ao invés de tentar ganhar espaço nacional, com a definição de figuras que fizessem a crítica ao governo Lula e ao PT, Abrucio disse que o PSDB se omitiu. A briga interna teria prevalecido, e os tucanos teriam perdido o "timming".Abrucio identifica que o PSDB vive hoje alguns conflitos internos: a) há setores sub-representados, alijados do comando; b) há uma briga de gerações; c) há ainda um grupo que não faz parte dos fundadores do partidos que têm uma visão político-partidária diferente em relação à da cúpula. Em alguns casos, essas diferenças se personificam em uma única pessoa, como é o caso do governador de Goiás, Marconi Perillo, que vem criticando o processo de escolha do candidato do PSDB.Arrogância e momento econômicoAbrucio disse que há duas explicações centrais para o crescimento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva entre os eleitores com maior escolaridade e os que ganham mais de dez mínimos. Uma delas teria sido a "arrogância" dos partidos de oposição na condução da crise política, enquanto a outra é o bom momento econômico brasileiro. Ao contrário do voto do eleitorado mais pobre e com menor escolaridade, que estaria mais consolidado, o cientista político disse que o voto desse eleitorado ainda deve flutuar bastante."A oposição evitou ir para um processo de enfrentamento durante a crise", disse Abrucio, lembrando que partidos de oposição esperavam que o escândalo político sangraria Lula. Para ele, o desenrolar da crise também deixou o eleitorado mais informado (eleitor que quase sempre também é o de maior renda)e desconfiado. Além de um suposto acordo para abafar a crise e de apenas dois cassados (Roberto Jefferson e José Dirceu), Abrucio disse que o envolvimento de políticos do PSDB também pesou.O cientista político disse que a exclusão do ex-governador mineiro Eduardo Azeredo das investigações foi prejudicial para os tucanos. "Isso será lembrado na campanha", afirmou. "O PSDB não quis investigar os seus quadros." Num segundo momento, ele lembrou o nome do ex-diretor de Furnas Dimas Toledo envolveu novamente o PSDB no escândalo. Ele lembrou ainda que há uma questão decorrente desta: apesar da gravidade da crise, não foram aprovadas reformas de peso no sistema político.Há ainda o segundo fator: o bom momento econômico do Brasil. "O índice de bem-estar do eleitorado está pesando", comentou. "O eleitor valorizando essa satisfação."Embora acredite que o voto desse eleitorado (maior escolaridade e maior renda) não esteja consolidado, e ainda flutue, Abrucio descartou que eventuais mudanças possam ter "efeito cascata" entre os eleitores de menor escolaridade e menor renda. "Tenho dúvidas de que esse efeito aconteça", admitiu. Há cinco ou seis meses, o cientista político disse que esperaria uma flutuação maior do voto dos mais pobres/menos instruídos. Hoje, após as últimas pesquisas aposta em uma consolidação mais forte. "No auge da crise, a oposição não conseguiu atingir os mais pobres", afirmou.

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