Indefinição continua em Belgrado

Cerca de três horas após a invasão da residência do ex-presidente iugoslavo, Slobodan Milosevic, por homens da tropa de choque da polícia sérvia, o mistério ainda continua na capital do país. Até o momento, ainda não se sabe o que teria acontecido com o ex-mandatário da Iugoslávia. Uma fonte do ministério do Interior informou a Associated Press, sob condição de anonimato, que um grupo de oficiais da polícia encontrou-se com Milosevic e apresentou-lhe um mandado de prisão, mas o ex-presidente contestou afirmando não "reconhecer essa polícia e estas autoridades, pois são todas servas da Otan". A polícia encontrou resistência ao avançar pelo vasto jardim da mansão para entrar na casa, e teve de lançar granadas de gás para dispersar a multidão. Jornalistas no local afirmaram que um oficial de polícia e uma outra pessoa não-identificada ficaram feridas durante o incidente, e um fotógrafo iugoslavo teve a mão atingida por uma bala perdida.No momento, há sinais de que negociações estão acontecendo entre os guarda-costas leais a Milosevic e as forças policiais, mas os partidários do líder sérvio não parecem dispostos a entregá-lo.A operação policial ocorreu depois de várias horas de versões contraditórias sobre a prisão do ex-ditador e o fim do ultimato dos Estados Unidos ao novo governo iugoslavo para entregá-lo à Justiça internacional, sob pena de perder a ajuda econômica externa. Mas Carko Kovac, vice-primeiro-ministro da Sérvia (que, com Montenegro, forma a Iugoslávia) adiantou que o ex-ditador não será extraditado, num claro desafio ao Congresso dos EUA. Os deputados americanos ameaçaram cancelar os planos de ajuda econômica à Iugoslávia e também suspender os empréstimos concedidos ao país pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e Banco Mundial.Milosevic é acusado de crimes de guerra e genocídio de albaneses étnicos, mediante violenta campanha de limpeza étnica durante o conflito de Kosovo (em 1999) pelo Tribunal Internacional dos Crimes de Guerra da ex-Iugoslávia. É responsabilizado também pelas sangrentas guerras, principalmente a da Bósnia-Herzegovina, que fragmentaram a antiga Iugoslávia. Na Sérvia, é investigado por acusações de abuso de poder, enriquecimento ilícito, assassinatos, fraude eleitoral e traição.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.