Incra visita área de conflito após morte de seguranças

Se sem-terra forem condenados, eles não poderão ser beneficiários da reforma; eles ainda são suspeitos

Angela Lacerda, de O Estado de S.Paulo

25 de fevereiro de 2009 | 17h26

Depois de visitar a área de conflito em São Joaquim do Monte, no agreste, onde quatro seguranças foram mortos a tiros por trabalhadores sem-terra, na tarde do sábado, o superintendente estadual do Incra, Abelardo Siqueira, disse nesta quarta-feira, 25, que vai tentar uma reunião com o proprietário da fazenda Jabuticaba, uma das áreas reivindicadas pelo MST na região. Há a possibilidade de o encontro ocorrer na próxima semana, com a presença do ouvidor agrário nacional, Gercino da Silva Filho, que estará no Recife na terça-feira para tratar do assunto. O ouvidor também vai dar posse à comissão estadual de reforma agrária e combate à violência no campo, integrada por representantes de órgãos estaduais e federais - a exemplo do Incra, Ibama, secretarias de Articulação Social e de Defesa Social - e do Poder Judiciário. A comissão deverá ter como primeira tarefa encontrar uma solução para a região, de acordo com o promotor agrário estadual Édson Guerra. Os sem-terra reivindicam as fazendas Consulta e Jabuticaba, em São Joaquim do Monte, a 137 quilômetros do Recife, onde o MST já promoveu nove ocupações e reocupações de terra, sempre retornando às propriedades depois de despejados por reintegrações de posse concedidas pela justiça. Segundo Siqueira, há uma controvérsia em relação às dimensões da Jabuticaba, cuja área não está documentada em cartório. Ele pretende pedir ao proprietário, que há algum tempo apresentou uma escritura alegando que a fazenda tem 247 hectares, autorização para fazer a medição da área. Os sem-terra afirmam que a propriedade tem mais de 800 hectares e é improdutiva, sendo, portanto, passível de reforma agrária. Já a Fazenda Consulta, onde ocorreu o conflito entre seguranças e sem-terra, não pode ser desapropriada, de acordo com Siqueira. Ela foi herdada por quatro pessoas que a desmembraram e escrituraram. Cada um deles ficou com cerca de 250 hectares, o que caracteriza média propriedade.  Sem Pressa Se trabalhadores sem-terra forem condenados pelas mortes, eles não poderão ser beneficiários da reforma agrária, conforme norma do Incra. Por enquanto, eles são suspeitos, observou Siqueira. "A polícia ainda não concluiu o inquérito". Dois sem-terra foram presos no mesmo dia da chacina e se encontram em um presídio de Caruaru. O líder do MST, Jaime Amorim, disse não ter pressa para pedir o relaxamento das prisões. "Vamos aguardar o posicionamento da justiça", afirmou ele. O delegado de São Joaquim do Monte, responsável pelas investigações, Luciano Francisco Soares, ouve hoje (26) o depoimento de um segurança que conseguiu escapar. Integrante do MST, Romero Severino da Silva, suspeito de estar diretamente envolvido no crime, foi ferido e está foragido. Um outro sem-terra, não identificado, também está sendo procurado pela polícia.  

Tudo o que sabemos sobre:
Incraconflito

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.