Incra vai à Justiça para reaver sede invadida por sem-terra

O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) entrou com um pedido de reintegração de posse para a desocupação do edifício-sede do órgão, em Brasília, ocupado desde as 5 horas da manhã desta segunda-feira, 16, por um grupo de sem-terra. Os manifestantes exigem maior rapidez nos assentamentos de terra.Enquanto isso, estão suspensas as negociações entre governo e os sem-terra. A direção do Incra informou, por meio de sua assessoria, que exige a desocupação do prédio para negociar as reivindicações dos sem-terra. Um porta-voz do movimento disse que a exigência ainda vai ser avaliada. "Estamos abertos ao diálogo, mas o governo está desacreditado com os trabalhadores porque demora muito a nos atender", disse Valter Melo, da coordenação do MST no Distrito Federal. A Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) e o Movimento de Apoio aos Trabalhadores Rurais (MATR) também são responsáveis pela invasão. Segundo o MST, 800 famílias estão em pelo menos 9 dos 23 andares do edifício, número que diverge da Contag, que fala que são ao todo 700 pessoas. Os sem-terra entraram no prédio de madrugada e depois impediram a entrada dos funcionários. Eles trouxeram colchões e utensílios de cozinha para dentro do prédio. Não há informações sobre feridos. De acordo com a Assessoria de Imprensa do Incra, o pedido de reintegração de posse foi feito após os sem-terra se recusarem a desocupar o edifício para a retomada das negociações entre as partes. Os sem-terra pedem o assentamento de 1.800 famílias que estão acampadas no entorno do Distrito Federal, e a exoneração do superintendente do Incra no Distrito Federal, Renato Lordello. ´Abril vermelho´Segundo a Polícia Militar, os manifestantes quebraram portas e janelas e ocuparam dois andares do prédio, que fica ao lado da Esplanada dos Ministérios. Os trabalhadores exigem o assentamento de 1.800 famílias acampadas na área do Distrito Federal e regiões próximas, créditos e assinatura de convênios para construir casas nos assentamentos e maior velocidade na desapropriação de fazendas improdutivas. "O MST exige que o governo Federal cumpra o seu compromisso e faça um verdadeiro mutirão de todos os órgãos públicos envolvidos na questão para assentar as 150 mil famílias acampadas pelo País", informa o movimento. O MST rotineiramente ocupa grandes fazendas para pressionar o governo a conceder lotes de terra e ajuda financeira para famílias de agricultores pobres. Durante a última campanha, que começou há duas semanas, conhecida como "Abril Vermelho", milhares de trabalhadores sem-terra ocuparam fazendas, queimaram plantações de cana-de-açúcar e fizeram manifestações em vários Estados. E protestam ainda contra o "massacre de Eldorado dos Carajás", quando 19 sem-terra morreram em confronto com a Polícia Militar do Pará. O episódio completa 11 anos nesta terça-feira. Segundo a direção do MST, este ano há protestos do movimento em nove estados. Uma área pertencente ao Exército Brasileiro em Papanduva (SC) foi ocupada no último domingo, mas os sem-terra deixaram o terreno na manhã desta segunda-feira, após acordo. Nesta segunda, militantes ocuparam a ponte sobre o rio Tocantins em Estreito (MA) e áreas de terra públicas e particulares em Barra do Piraí e Campos, no Rio de Janeiro. Os diretores do Incra estão reunidos com o ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, para discutir a situação, informou a assessoria do Incra.O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se encontrou com grupos de reforma agrária na última sexta-feira e prometeu estudar as exigências para diminuir o critério para a desapropriação de terras. (Com Raymond Colitt, Reuters) Texto ampliado às 16h19

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