Incra tenta resolver conflitos entre assentados e fazendeiro

Técnicos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e Instituto Nacional do Meio Ambiente (Ibama) viajam no sábado a Lábrea, a 703 quilômetros de Manaus e a 150 quilômetros do Acre, para buscar resolver conflito de terra na região, entre assentados e um fazendeiro que já dura oito meses.No assentamento, que existe há três anos, localizado no Seringal Esperança e batizado de Gedeão pelos assentados, moram hoje 200 famílias ou cerca de 1,5 mil pessoas.O conflito se agravou há duas semanas com a liminar de reintegração de posse expedida pela juíza da comarca de Lábrea, Kathleen dos Santos Gomes, em favor do proprietário da fazenda Remansinho, Atanásio José Schneider. O Estado tentou falar ao telefone com o proprietário da fazenda, mas ele não foi encontrado.Segundo a liminar, a área da fazenda sobrepõe em 3 mil hectares a gleba Iquiri ou assentamento Gedeão de 37 mil hectares do Incra, onde estão acontecendo os conflitos.De acordo com a superintendente do Incra no Amazonas, Maria do Socorro Marques Feitosa, a liminar dada pela juíza de Lábrea está sendo questionada pela Procuradoria Jurídica do Incra. "A área em questão foi arrecada em nome da União e, portanto, é de inteira responsabilidade do governo federal e não de uma comarca local". AssassinatosNos últimos três anos, vários conflitos entre ribeirinhos, madeireiros, fazendeiros e grileiros ocorreram no sul do Amazonas. Neste período, segundo a Polícia Federal, três mortes já foram registradas em circunstâncias ainda investigadas e duas pessoas estão desaparecidas.Em 2001, o agricultor Guilherme Silva foi morto e esquartejado em Lábrea. Em janeiro de 2002, no mesmo município, foi fuzilado o seringueiro Maurício Souza, o Caubói. O agricultor e dirigente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais do Sul de Lábrea, Gedeão da Silva, foi o assassinato mais recente entre os conflitos com grileiros e assentados. Gedeão foi morto com um tiro no peito em fevereiro do ano passado, em uma emboscada próxima ao acampamento onde vivia com a família. Até hoje os assassinatos não foram solucionados.

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