Incra tenta evitar ocupação de sede em Recife

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e a Comissão Pastoral da Terra (CPT) não descartam possibilidade de ocupação da sede do Incra, no Recife, no início da noite da próxima terça-feira, depois do ato programado para marcar o Dia Internacional de Luta no Campo e o quinto aniversário da morte de 19 sem-terra em Eldorado de Carajás, no Pará. Eles querem garantias de desapropriação das terras das usinas Aliança e Central Barreiros, localizadas nos municípios de Aliança e Barreiros, na zona da mata. As áreas das duas usinas já foram consideradas improdutivas pelo Incra,mas os processos de desapropriação foram suspensos porque os proprietários conseguiram liminares judiciais. O Incra recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) nos dois casos e aguarda a decisão.O superintendente regional do Incra, Geraldo Eugênio, reuniu-se hoje com lideranças dos movimentos para pedir "sensatez" aos trabalhadores e evitar a ocupação. Ele disse que o órgão tem feito tudo o que deve ser feito e afirmou que não pode interferir no âmbito do Judiciário. "Uma ocupação do órgão só vai prejudicar os trabalhos do Incra e os trabalhadores", afirmou.A coordenadora da CPT, Marluce Melo, expôs a violência e a exploração a que os trabalhadores rurais têm sido submetidos nos últimos séculos. O líder regional do MST, Jaime Amorim, acrescentou que o Incra é que deveria ter sensatez. "Há dois anos esperamos a desapropriação da Usina Aliança, o Incra atrapalha com a burocracia", disse. A Usina Aliança está desativada há cinco anos, tendo sido ocupada e depredada pelos sem-terra no último final de semana, no início da Marcha Nacional pela Reforma Agrária, cujo términoocorre com a chegada dos trabalhadores ao Recife.Os movimentos garantiram, entretanto, que será pacífica toda a programação prevista para esta terça-feira, no Recife. Os sem-terra chegam à capital na segunda-feira. No dia seguinte, com a participação de sindicatos urbanos e movimentos sociais, eles participam de culto ecumênico, seguem para a Assembléia Legislativa, onde o deputado estadual Paulo Rubem (PT) faz pronunciamento sobre a reforma agrária, depois fazem protesto em frente ao Tribunal Regional Federal (TRF) e realizam ato no Marco Zero, no Bairro do Recife Antigo.

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