Incra pede ajuda da polícia para vistoriar fazendas

O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) solicitou à Justiça gaúcha autorização para fazer vistoria nas fazendas do município de São Gabriel com auxílio da Brigada Militar, a PM gaúcha. Nesta terça-feira, os técnicos do Incra foram mais uma vez impedidos pelos fazendeiros de entrar em três propriedades da região e acabaram registrando queixa na polícia. O bloqueio dos ruralistas contou com o apoio de comerciantes e políticos do município, a 320 quilômetros de Porto Alegre.O motivo da divergência são os índices utilizados pelo Incra para avaliar a produtividade das terras e, se for o caso, desapropriá-las para reforma agrária. Pelas características da região, a propriedade é considerada improdutiva se possuir menos de 0,8 unidades animais (ou 360 quilos, em média) por hectare - o que equivale a uma cabeça de gado por quase dois campos de futebol."A gente lança mão da desapropriação quando se esgotam as possibilidades de compra de terras, como é o caso atual", disse o superintendente regional do Incra, Jânio Guedes Silveira. Neste ano, mais de 40 propriedades foram avaliadas no Rio Grande do Sul para compra pelo governo federal, mas não houve acordo no preço e no meio de pagamento (os fazendeiros não aceitam os Títulos da Dívida Agrária).Como atrasou o cronograma de assentamento negociado com o MST, que prevê o beneficiamento de 900 famílias em 2001 e 2 mil em 2002, o Incra iniciou em novembro um processo de vistorias em 274 imóveis cadastrados com mais de 3 mil hectares cada. O objetivo é avaliar a produtividade de um total de 1,2 milhão de hectares até o fim do ano que vem.De acordo com o presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Carlos Sperotto, o Estado não possui terras improdutivas. "O Incra está procurando agulha no palheiro", disse Sperotto.

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