Incra mapeia área para assentar 20 mil famílias

O Ministério do Desenvolvimento Agrário decidiu concentrar no sul do Pará suas forças para dar um novo rumo à reforma agrária no País. Cerca de 20 mil famílias da região cobram do governo federal uma política capaz de tirá-las das barracas de lona onde elas vivem de maneira precária em 110 fazendas invadidas e ocupadas há pelo menos oito anos. É gente sem atendimento à saúde, escolas, crédito para plantar e estradas.Pressionado pelos movimentos sociais e temeroso de uma explosão de violência ainda maior na luta pela posse da terra - foram 100 assassinatos nos últimos sete anos - o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) deslocou na semana passada para a região uma força-tarefa composta por 32 servidores do órgão lotados na Bahia, Paraná, Amazonas, Distrito Federal, Roraima, Acre e Pará. Eles ficarão no sul e sudeste paraense pelos próximos noventa dias. Além de cadastrar as famílias de agricultores que ocupam as terras, mas ainda não constam dos arquivos do governo, esses técnicos do Incra vão identificar áreas da União para ser transformadas em projetos de assentamento.Os municípios de Rondon do Pará, Abel Figueiredo e Bom Jesus do Tocantins, localizados às margens da rodovia BR-222, são os primeiros visitados pelos técnicos. É neles que se concentram grandes fazendas e também conflitos entre pecuaristas e agricultores ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e à Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetagri). O cadastramento das 20 mil famílias sem terra é tido como fundamental pela direção do Incra em Brasília. Depois de feito o trabalho, os agricultores irão receber do governo o crédito instalação, que é composto pelo crédito apoio e o crédito habitação.

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