Incra desiste de reabrir usina no Pará

O presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Sebastião Azevedo, afirmou hoje em Belém que o órgão não pretende reabrir a usina de cana-de-açúcar Abraham Lincoln, em Medicilândia, no sudoeste do Pará, fechada desde o final do ano passado. "Essa usina é antieconômica e já perdemos muito dinheiro com ela", justificou. Ele disse que a marcha que está sendo feita por 400 canavieiros paraenses em direção a Brasília não mudará sua posição.Azevedo também determinou a abertura de inquérito administrativo para apurar desvio de R$ 3 milhões que seriam utilizados na construção de 759 casas para assentados da reforma agrária nos municípios de Uruará, Medicilândia, Rurópolis e Itaituba, no sudoeste paraense. A construtora Karane, responsável pelas obras, embolsou antecipadamente um terço do dinheiro, construiu apenas 20 casas e desapareceu do Estado. "Não abrimos mão da transparência na administração do dinheiro público".Sobre a paralisação da usina de cana, Azevedo explicou que o Incra pretendia vendê-la para a iniciativa privada, mas esbarrou na pendência judicial que se desenrola há 17 anos entre o governo federal e a empresa Conam, responsável pelo fracasso da primeira tentativa de privatização. A usina acabou retornando às mãos do Incra e a Conam ingressou com ação para ressarcimento de prejuízos. Depois de afirmar que o Incra não possui tradição em administrar usina de cana, Azevedo classificou de a mais "lúcida decisão" já tomada pelo órgão o encerramento de suas atividades em Medicilândia. "Eu já esperava todo esse descontentamento dos canavieiros, porém quero dizer que procuramos diversas alternativas para resolver o problema. Nada, porém, será resolvido enquanto a Justiça Federal não julgar o caso", afirmou o presidente.A postura de Azevedo provocou indignação entre os canavieiros. "É demonstrando toda a sua omissão diante de um problema social por ele próprio criado que o Incra trata aqueles que, na região da Transamazônica, um dia acreditaram no governo federal", reagiu o prefeito de Medicilândia, Francisco Aguiar Silveira.

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