Incra aponta desvios em cooperativa ligada ao MST

Auditoria do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) comprovou que a Cooperativa Agrícola Mista dos Produtores Rurais do Assentamento Nova Vida (Coopevida), de Pitimbu, na Paraíba, cometeu várias irregularidades com dinheiro público. A Coopevida é ligada ao Movimento Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST).Além de pagar R$ 20,00 ao MST por liberação de crédito, os cooperados tiveram de comprar mudas de bananeira 400% mais caras. Segundo a auditoria, o desvio de finalidade dos recursos levou as famílias do Assentamento Nova Vida a ficar devendo R$ 3,5 milhões ao governo federal. O governo vai pedir ao Ministério Público Federal, em Brasília, que os responsáveis sejam punidos. A auditoria do Incra na Coopevida foi feita sobre todos os investimentos do extinto Programa Especial de Crédito para a Reforma Agrária (Procera), entre 1995 e 1999. No período compreendido pela auditoria, a Coopevida recebeu R$ 2,19 milhões do governo federal para investimento e custeio. A auditoria mostra que o Banco do Nordeste (BNB) lançou em sua ficha financeira, em favor da Coopevida, um total de R$ 2,59 milhões, "superior aos R$ 2,19 milhões liberados, proporcionando uma diferença a maior no débito da Cooperativa de R$ 396.210,31". Segundo a auditoria, a estrutura da cooperativa é "deficiente" e funciona em um anexo de um galpão de máquinas. Não foram apresentados aos técnicos os registros contábeis atualizados. A única funcionária da cooperativa está com os salários atrasados.A conta bancária da Coopevida está bloqueada judicialmente, por causa de uma reclamação trabalhista de ex-funcionário. Além de não haver comprovante de gasto de R$ 125 mil, a Coopevida, segundo a auditoria, "dilapidou" seu patrimônio, "em prejuízo do erário", por vender os kits de irrigação e outros equipamentos adquiridos com recursos do Procera.Não foi encontrado um veículo Gol, que está em nome da cooperativa, e foram utilizados tubos de irrigação da área coletiva em residências da agrovila. Os recursos foram utilizados no plantio de coco, mas não há projeto de manutenção e recuperação do coqueiral, única fonte de renda dos cooperados. A auditoria constatou que os investimentos no assentamento não trouxeram benefícios aos 137 cooperados, que alegaram não ter recebido assistência técnica.A auditoria constatou que, além do superfaturamento de 400% nos preços de mudas de bananeira, a Coopervida vendeu produtos sem procedência e qualidade "duvidosa". Segundo o levantamento, o agente financeiro que fez as operações da Coopevida, o Banco do Nordeste, "cometeu algumas falhas", entre elas a falta de abertura de conta específica para a movimentação dos recursos do projeto técnico financeiro, utilizando a conta normal da cooperativa, o que dificultou a discriminação de valores. O BNB, segundo a auditoria, "não considerou a inadimplência técnica nas aplicações e liberou recursos das parcelas subseqüentes".

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