Incra acusa sem-terra de roubo e vandalismo

Os sem-terra deixaram hoje pela manhã a sede do Incra, no Recife, um dia depois de terem ocupado o órgão, sob a acusação de roubo e vandalismo. Segundo a instituição, eles arrombaram a lanchonete que fica no pátio interno, levando R$ 50 do caixa e consumindo os alimentos que lá se encontravam; além de roubarem o microfone e a cortina do auditório, quebrarem os vidros laterais de duas viaturas oficiais e de arrombarem um portão.Técnicos da Polícia Federal fizeram perícia no local e encaminharam o relatório para o delegado que poderá ou não abrir inquérito. O MST nega o vandalismo. "Isto é coisa plantada para desmoralizar o movimento", afirmou um dos seus coordenadores, James Vanzela. "É a verdade deles contra a nossa". Ele disse que o MST não estava preocupado com a acusação e, se houver processo, eles responderão.O superintendente regional do Incra, Geraldo Eugênio, garantiu não ter havido nenhuma armação. "Eu cheguei de manhã e vi o estrago", disse, frisando que não estava acusando a direção nem incriminando o movimento. Para ele, houve falta de controle em relação às pessoas levadas pelo MST. "Se tem marginais dentre eles, essas pessoas devem sair".Os sem-terra aceitaram desocupar o Incra para não atrapalhar as negociações da direção nacional com o ministro do Desenvolvimento Agrário Raul Jungmann, que ameaçou cancelar uma audiência em Brasília, marcada para a próxima terça-feira.Amanhã Geraldo Eugênio se reúne com os sem-terra em Caruaru, no agreste, para negociar a pauta de reivindicações do movimento no Estado. Eles querem liberação de créditos atrasados no valor de R$ 11 milhões e emissão de posse de 19 áreas já desapropriadas.

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